Há uma grande confusão nessa ideia da espiritualidade. Qual será a verdade sobre esse contato com esta Realidade? Porque, observe uma coisa aqui: aquilo que estamos dando o nome de espiritualidade, geralmente, estamos confundindo todo o tipo de experiências extrafísicas, incomuns, misteriosas e estranhas – como, por exemplo, as experiências esotéricas ou místicas – com a Verdade da Espiritualidade.
Aqui nós temos usado essa expressão, investigado com você e colocado de uma forma diferente. Para nós, essa questão desse contato com a Realidade é o contato com a Espiritualidade. A Realidade é a Verdade; essa única Verdade, que é esta Realidade, é a Espiritualidade. Isso não é algo que você, a partir de uma experiência, realiza, toma ciência, apreende, compreende.
É a Verdade, é a Realidade, é a Ciência do seu Ser. Sua Natureza Essencial é a Verdade desta Realidade. Isso é Espiritualidade. Uma vez assumido o fim da ilusão, a ciência da Vida como ela é, como ela acontece, temos a presença da Espiritualidade. Não é alguém sendo espiritual, não é alguém se espiritualizando, não é alguém tendo experiências esotéricas, místicas, estranhas, extrafísicas. Tudo isso ainda é parte daquilo que pode ser – por mais estranho que pareça – ainda identificado e reconhecido pelo pensamento.
Então, nós precisamos primeiro compreender aqui essa questão do pensamento para, de fato, ter uma aproximação da Verdade da Espiritualidade, porque aquilo que é Real está além do pensamento. A Realidade, que é esta Verdade Espiritual, não é algo que o pensamento acessa, que o pensamento alcança, que o pensamento reconhece. E por que isso é impossível para ele? Porque o pensamento lida com lembranças, com memórias, com imagens, com símbolos, com representações que vêm do passado.
Não existe nenhum pensamento que esteja livre do passado. Todo pensamento está atrelado diretamente a um quadro, representação, imagem, sensação, experiência de memória, de lembrança, de recordação e, portanto, do passado. A Realidade, a Verdade, a Espiritualidade não pode ser alcançada por uma descrição. Toda essa descrição é a descrição do pensamento, através de símbolos, imagens, lembranças, recordações e experiências, memórias do passado.
Portanto, o contato com a Espiritualidade é o contato com a Beleza da Vida atemporal, da Vida indescritível, inominável. Não é possível alguém assumir a Espiritualidade, exatamente porque a Verdade da Espiritualidade, a Verdade dessa ciência da Vida atemporal está presente quando não existe o “eu”, quando não existe o passado, quando não existe esse “alguém”.
Quando o pensamento não está, nós temos a presença da Verdade Divina. Apenas a Realidade de Deus é Espiritual. Tudo o mais que podemos descrever, lembrar, recordar, manter como uma experiência para alguém que viveu, para alguém que está presente vivendo, tudo isso ainda está dentro da limitação, ainda está dentro desse círculo do conhecido, que é o círculo do pensamento.
A Verdade, que é esta Realidade daquilo que é a Realidade Espiritual, da Verdade da Espiritualidade, é a Presença deste Ser. Aqui se trata da Natureza de Deus; essa Natureza Divina é a Natureza deste Ser. Você em sua Realidade, Você nesta Verdade Divina é a Verdade de Deus. Não a “pessoa”, não esse “mim”, não esse “alguém”, mas a Realidade presente aqui e agora, quando o “eu” não está, quando a “pessoa” não está, quando o “ego” não está.
Por isso nós precisamos compreender o que é viver a vida sem o modelo do pensamento. Lidar com pensamentos de uma forma prática, simples, direta e objetiva na vida, para assuntos bem práticos. Você precisa do pensamento para ter a ciência de um dado conhecimento técnico.
Falar uma língua, escrever, conhecer a técnica para dirigir um carro, para trabalhar com computadores, ou qualquer outra atividade técnica, científica. De uma forma simples e direta, o pensamento se faz necessário, mas o pensamento, quando entra no terreno psicológico, ele alimenta a ilusão de uma identidade presente que se vê separada da própria vida: essa entidade é o “eu”, é esse “mim”, é o “ego”, é essa “pessoa”.
Nós precisamos descobrir a vida acontecendo nesse instante, sem o pensamento, sem esse padrão, sem esse formato, sem esse modelo de pensamento psicológico. Portanto, o seu contato com a vida não será o contato a partir desse “você” e essa imagem que o pensamento construiu sobre quem você é.
O pensamento construiu uma imagem sobre quem você é. Como é uma imagem construída pelo pensamento, essa autoimagem e você, você e essa autoimagem são parte de uma ideia, de um conceito, são parte de uma imaginação, algo que se estabeleceu em nós como sendo a verdade sobre quem nós somos. No entanto, estamos diante de algo ilusório, que não é real. Isso está assumindo nossas vidas. Essa ilusão particularizou essa vida desse “mim” e assumiu essa vida.
Portanto, essa vida, essa “nossa vida”, é a ilusória vida de uma identidade que se vê separada da Realidade da Vida, da Verdade da Vida, onde está presente a ciência de Deus, a Real Espiritualidade. O nosso enfoque aqui consiste em trabalharmos o fim da autoimagem, o fim dessa identidade ilusória, que o pensamento estabeleceu em nós como sendo nós mesmos.
Portanto, o Real encontro com Deus é a ciência da descoberta de Deus. Você não vai se encontrar com Deus, você vai tomar ciência dessa descoberta, a descoberta sobre sua Real Natureza, sobre a Verdade que Você é, sobre a Verdade que Você traz. Este momento é o momento desse encontro com a Realidade Divina. Este momento é o momento de encontro com essa descoberta, que é a descoberta da Verdade de Deus.
A Vida é Amor, Beleza, Liberdade, Felicidade quando a ilusão não está mais presente, quando essa estrutura organizada, estruturada, montada, estabelecida, firmada pelo pensamento não está mais presente; essa egoidentidade, essa ilusória identidade, esse sentido de alguém presente lidando com outras pessoas, lidando com a vida, lidando com situações, lidando com experiências. Observe que todo esse movimento é o próprio movimento do pensamento que vem do passado.
Tudo o que você reconhece, reconhece a partir do pensamento. E toda ideia que você tem sobre si mesmo está dentro do pensamento, toda a ideia que você faz sobre o outro, sobre a vida e sobre esta Realidade Divina, sobre esta Verdade Espiritual. Portanto, é parte do pensamento a construção de ideias sobre tudo. Essas ideias são apenas sugestões de imagens que o pensamento construiu.
Não estamos lidando com a Realidade quando estamos lidando com o pensamento; estamos lidando com a verdade das ideias, das imagens, algo que vem do passado, algo vem e nasce de experiências que alimentam e sustentam a continuidade da pessoa, desse “mim”.
A real forma da aproximação da Espiritualidade, da ciência da real Espiritualidade, da verdadeira Espiritualidade, dessa ciência de Deus, consiste na arte, na descoberta da Meditação. Então, nós precisamos compreender essa questão do pensamento, perceber a limitação da presença do pensamento para irmos além dele.
A compreensão da Meditação é a Vida se mostrando, livre desse padrão, que é o padrão do pensamento. É quando, nesse encontro com o momento presente, podemos lidar com a presença do pensamento de uma forma livre. É isso que nós temos chamado aqui de pensar. Nós não sabemos o que é o pensar. Nós temos uma forma de pensamento já programada, acontecendo em nós.
A sociedade, a cultura, a visão do mundo que nós recebemos, incluindo a presença da propaganda, da forma como todos se posicionam com experiências, nós estamos apenas duplicando isso, repetindo isso. Essa é uma forma programada de pensar, algo que nos foi dado. Nós não sabemos o que é o pensar.
A Beleza desse encontro com a Vida nesse instante requer a presença do pensar, e o pensar está presente quando estamos livres do pensamento, livres dessa condução de uma identidade presente, que é o pensador, tendo pensamentos, ou acreditando estar no controle, nesse “ter pensamentos”, nesse “realizar coisas” a partir do pensamento.
Assim, os sentimentos presentes a partir desse pensador, desse elemento que se vê como o elemento que está no sentir, a presença dos pensamentos a partir desse elemento que se vê como sendo o pensador que tem pensamentos – veja, estamos diante de algo completamente equivocado, ilusório -, isso está presente porque não temos a ciência do pensar.
O que é o pensar? O pensar é lidar com esse instante sem o passado, é lidar com esse momento sem o modelo do pensador, sem o modelo do pensamento, é atender à vida nesse instante com Inteligência, com Clareza, Lucidez, Liberdade. A vida acontece de uma forma real, livre, em Graça, Beleza, Amor, Inteligência, quando temos a presença da Meditação.
Com a presença da Meditação temos a verdade do pensar, temos a verdade do sentir, a verdade de atuar na vida a partir desta Realidade, desta visão Real Espiritual. Não existe mais o sentido do “eu”, do “ego”, não existe mais esse modelo da autoimagem; temos a presença da Realidade Divina, a presença deste Ser, Aquilo que é Você em sua Natureza Essencial.
É isso que estamos aqui, com você, aprofundando nesses encontros, trabalhando com você. Alguns chamam isso de o Despertar da Consciência ou Iluminação Espiritual. É a ciência da Vida, é a ciência da verdadeira Espiritualidade, é a ciência desse contato ou dessa real comunhão com Deus. Não é você e Deus, é esta Realidade de Deus assumindo completamente a Vida. Não há mais essa particular vida, essa vida do “eu”, essa vida do “ego”, essa vida da “pessoa”.
Portanto, nesses encontros que nós temos aqui nos finais de semana – sábado e domingo: são dois dias juntos de uma forma on-line -, nós estamos trabalhando isso com você. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.















