Mente condicionada. Aprender Autoconhecimento. Observador e coisa observada. Como sair do sofrimento

Existe aqui uma pergunta que nós vamos ser bem diretos com você, já colocando a resposta. A pessoa pergunta, mas como sair do sofrimento? Veja, é muito comum a presença do sofrimento. O sofrimento em diversas formas, em diversas expressões.

Isso é algo que está presente na vida do ser humano como parte da confusão em que ele se encontra. A ansiedade é algo presente, a angústia, a depressão, o medo, todos esses assuntos nós temos investigado aqui com você. E o sofrimento é parte de tudo isso, é parte de todos esses problemas que nós temos, dessa ordem.

Então, o sofrimento psíquico é algo que está presente no ser humano. Mas nós temos diversas formas de sofrimento também presentes. Nós temos esse sofrimento psicológico, mas nós temos também o sofrimento físico.

Então, nós conhecemos os diversos sofrimentos presentes na vida do ser humano. E aqui a pergunta é: como sair do sofrimento? Aqui, colocando de uma forma direta, você não pode sair do sofrimento. O sentido de pessoa presente, que é como nós nos vemos nesse contexto do existir, nesse contexto da vida, é basicamente sofrimento.

Enquanto nós estivermos vivendo nessa formulação de identidade do “eu”, estivermos dentro desse formato de existência em separação, em dualidade, e aqui a dualidade ou separação é a ideia eu e ele, nós e eles, haverá sofrimento porque nós nos deparamos aqui com uma ilusão. E, enquanto houver ilusão, em razão da presença da ignorância, haverá sofrimento. E por que está presente essa ignorância? Naturalmente, essa ilusão.

E o sofrimento está dentro desse contexto. Por que isso ocorre? Por que isso acontece? Porque nos falta uma compreensão da verdade, da verdade da vida, sem o “eu”, sem a pessoa. É nesse contexto de vida como pessoa, ou de pessoa na vida, que está presente o sofrimento, porque está presente esta separação: a pessoa e a vida, esse “eu” e o “não eu”.

Essa ignorância é algo presente quando nos falta uma visão da verdade sobre a vida, sobre o que a vida é. No entanto, a compreensão da vida, sobre o que ela é, requer a compreensão de como nós somos nesse contexto da vida, como ela é ou como ela se apresenta sendo para cada um de nós. Assim, sem antes termos uma compreensão sobre isso, não temos ou não teremos jamais o fim do sofrimento.

Sofrimento não é outra coisa a não ser aquilo que o pensamento avalia, interpreta, traduz. Vive fazendo escolhas sobre o que é, colocando em posições sobre como deveria ser ou deveria acontecer. Tudo isso está dentro desse contexto do padrão do pensamento funcionando em nós, neste cérebro que está condicionado, dentro desta mente condicionada.

Então, algo que nós precisamos aqui explorar com você é essa questão dessa mente condicionada, que é parte desta ignorância presente, que sustenta essa ilusão. Então, nós ignoramos a verdade sobre quem nós somos.

Nos falta esse aprender sobre o Autoconhecimento, sobre a verdade sobre nós, sobre a verdade sobre quem nós somos. Todas as nossas ações que têm por princípio, que têm por base esse padrão de pensamento condicionado, nesta mente condicionada, naquilo que nós temos aqui trabalhado com você e lhe mostrado que é parte desta consciência que nós conhecemos, essa consciência que nós conhecemos é a consciência condicionada.

Enquanto nossas ações estiverem brotando desse padrão de pensamento e, portanto, dessa ignorância, desse formato de ser que nós conhecemos, haverá sofrimento, porque a presença desse sofrimento está presente em razão da presença da ignorância, desta confusão em que nós nos encontramos internamente, psicologicamente. E tudo isso é o resultado de um fundo que trazemos.

Esse é o nosso condicionamento. Esse é o nosso condicionamento do pensamento, é o nosso condicionamento mental, é o condicionamento da mente, é o condicionamento da consciência, é esse fundo. O seu modo de responder à vida nesse momento e o seu modo de interagir com a experiência desse instante, tendo por princípio esse fundo que vem do passado é a manutenção dessa continuidade do ego. Então, é simplesmente impossível, repare, o fim para o sofrimento. O ser humano continuará sofrendo até o final dos seus dias.

De uma forma ou de outra o sofrimento estará presente em razão da presença dessa ignorância, desse fundo de condicionamento, que é o condicionamento do “eu”. Assim, a mente está condicionada, o cérebro também.

Todo conhecimento que você tem da vida, a partir desse passado que você carrega, que é toda a história da humanidade, nós não estamos aqui, nesse momento, dentro desse contexto, lidando com a vida como ela acontece. Estamos interpretando, avaliando, comparando, julgando, trazendo do passado um contato com a vida, nesse momento. Então, temos a vida nesse instante, a verdade da vida como ela se mostra sendo, como ela é.

E nós trazemos do passado essa ideia de vida como ela deveria ser, como ela poderia ser, como ela seria. Assim, o passado, essa herança psicológica de cultura humana, de interpretação, de reinterpretação, de avaliação do momento presente, nos situa na vida como alguém presente dentro dela, separado dela. Esse é o “eu”, esse é o ego, essa é a ignorância.

É aqui que está a ilusão. É aqui que está o sofrimento. Acompanhe com calma isso.

Uma aproximação real da vida é a aproximação sem o “eu” e, portanto, sem o passado. Repare, uma pergunta para você. Quando você se depara com alguém você está diante exatamente de quem? Eu faço a pergunta e já trago a resposta.

Você está apenas diante de alguém que você conhece, que você reconhece. Então, esse alguém que você conhece, que você reconhece, na realidade, não está lá, está dentro de você, porque toda referência que você tem dele ou dela se assenta no conhecimento que você traz e na experiência que você tem.

Repare a importância dessa colocação. Quando você se depara com alguém, esse alguém não é outro a não ser a pessoa que você forma dele ou dela, o quadro, a figura, a imagem, a fotografia que você tem dele ou dela.

Assim, nesse encontro com alguém, há sempre esse elemento que é o observador em você, que observa no passado. Então, quando você se encontra com o marido, você está tendo um encontro, na realidade, com uma imagem, uma foto, um conceito, uma ideia sobre ele ou sobre ela, se é a esposa. Esse encontro é, na realidade, uma projeção desse observador.

Esse observador em você é a própria imagem que ele está projetando, com a qual ele está lidando. Assim, reparem como isso é importante aqui, nós acreditamos que nós conhecemos as pessoas, nós conhecemos a imagem que temos, porque essa é a experiência que temos com essas imagens, nesse contato com ele ou ela.

Assim, nossas relações, por exemplo, nossas relações com pessoas, são relações que se assentam, que têm por princípio ou base esse elemento que é o observador. E esse observador é o “eu”, é esse mim, é a pessoa que eu sou. Mas essa pessoa que eu sou é um pensamento que eu tenho sobre quem eu sou. É nesse pensamento que tenho sobre quem eu sou, e esse é o observador, que está presente a imagem que eu tenho sobre quem ele é. Assim, as nossas relações são todas relações falseadas, falsificadas porque são relações entre imagens.

A imagem que eu tenho dele, a imagem que ele tem de mim. Assim, quando nós nos encontramos, está estabelecido nesses encontros negociações entre imagens, negociações entre observadores. Aqui a pergunta para você é a seguinte: e onde está a realidade? Uma vez que esses encontros são encontros entre pensamentos, entre imagens, entre projeções desse observador. É muito simples.

Não existe verdade nesses encontros. Essas verdades desses encontros são encontros de sonhos. Assim são as nossas relações com a vida, com as situações, com as circunstâncias, está sempre presente esse elemento que vem do passado, que é o observador. E esse observador, notem, ele não está separado daquilo que ele está observando. Aquilo que ele está observando é ele. Aqui nós temos uma playlist a respeito desse assunto.

Quanto maior a sua aproximação dessas falas, mais vai ficando claro para você aquilo que estamos colocando aqui. Não existe separação entre o observador e essa coisa que ele observa. O observador é a coisa observada.

Estamos juntos? Assim, reparem, nós temos uma ilusão aqui presente. Como já foi colocado, essa é a base da ignorância. A ilusão é esse sentido de separação.

Não existe qualquer separação entre esse observador e a coisa observada. Nós estamos dentro de um mesmo fenômeno. A ideia de alguém presente separado da vida, do outro, ou do que está à sua volta, é isso que sustenta essa resistência à vida como ela acontece.

Então, nós estamos dentro de uma vida criada, sustentada, produzida pelo pensamento. Essa é a condição da ilusão do sentido do “eu”, nesta particular vida, que é a vida egoica, que é a vida egocêntrica. Portanto, não existe como pôr fim a esse sofrimento.

Assim quando as pessoas dizem: como sair do sofrimento? Elas não compreendem que não há separação entre o sofrimento e aquilo que elas são. A ideia, a crença é que o sofrimento está separado de mim, mas, na verdade, esse mim é o sofrimento. Assim como o outro sou eu.

Eu nunca estou em contato real com ele ou ela, assim como não entro em contato real com o sofrimento. Então, a ignorância é aquilo que está presente nessa ideia desse mim, desse “eu”. Essa é a condição da mente condicionada, desta consciência condicionada, desse modelo de identidade do “eu”. Se aproximar de si mesmo é aprender sobre o Autoconhecimento. E esse aprender requer que, nesse momento, você descubra o que é olhar sem esse observador.

Então, o que é olhar para esse momento sem o observador? Quando você olha para alguém sem a presença desta aproximação, desse aprender sobre si mesmo, você está apenas mantendo a continuidade desse quadro de dualidade, de separação, onde está presente esse observador e a coisa observada. Mas, quando você começa a se aproximar da verdade sobre si mesmo e percebe que tudo o que você tem presente nesse observador é a própria coisa observada. Nesse momento, apenas o olhar elimina esse observador. Então, repare, há uma forma de nos aproximarmos do momento presente, seja das situações, circunstâncias, da vida ou do outro, sem esse elemento que é o observador.

E, portanto, sem o passado. Podemos nos aproximar daquilo que surge nesse instante, externamente ou internamente, sem esse observador? É isso que estamos dizendo aqui para você. Que sim, isso é possível.

Desde que aprendamos a ter uma aproximação da vida sem o passado. O ponto é que nós estamos constantemente valorizando o passado. A vida está aqui e agora, nesse momento, se mostrando de uma forma nova.

Quando, por exemplo, o outro está diante de mim, mas aí entra esse mim com sua projeção. Esse mim é esse observador, se separando daquilo que ele está observando. Nesta separação está presente a dualidade. Nesta separação está presente a ilusão da separação.

Isso firma e estabelece a confusão, a desordem e o sofrimento. Será possível ter um encontro com ele ou ela sem o passado dele ou dela? É o que estamos colocando. Sem o passado dele ou dela, você não tem qualquer imagem sobre ele ou sobre ela. E esse encontro sem a imagem dele ou dela é um encontro sem o observador.

Então, nesse momento, você está se dando conta de suas reações, percebendo todo esse jogo que o pensamento cria dentro de você, nesse contato com o momento presente, nesse contato com ele ou ela, ou com as situações à sua volta, ou com coisas que acontecem dentro de você. Sim, isso mesmo. É possível observar as reações dos pensamentos, dos sentimentos, das emoções, das sensações, sem colocar este observador, que se separa daquilo que ele está observando. Quando, por exemplo, um pensamento está presente, criando um estado de tristeza, de aborrecimento, raiva, rancor, decepção, frustração, quando um pensamento está presente trazendo com ele um estado, é possível apenas se dar conta do pensamento, disso que ele representa, sem se envolver com ele? Quando você não se envolve com o pensamento, há só o pensamento, porque há só o observar, não existe esse observador, não existe esse pensador, não existe essa pessoa envolvida nesse não gostar desse pensamento ou nesse gostar desse pensamento. É assim que nos aproximamos da verdade da meditação. Quando temos, por princípio, esse olhar para as nossas reações sem se envolver com elas, como olhar para o outro sem psicologicamente criarmos essa imagem dele ou dela, nós temos uma aproximação da verdade sobre esse aprender sobre nós mesmos.

Porque eliminamos, nesse momento passado. Há uma eliminação do passado porque está presente apenas esse olhar. É como, por exemplo, quando você escuta uma música.

Experimente apenas escutar a música. Em geral, reparem o que temos feito: quando uma música está tocando, a princípio, esse observador que é o “eu”, esse mim, esse ego, ao escutar a música, ele não escuta a música, ele se envolve no ouvir a música.

Quando, nesse momento, emocionalmente, sentimentalmente, romanticamente ou ideologicamente, ele se envolve com a melodia, com a letra, com toda aquela harmonia musical. E, nesse momento, ele coloca essa identidade envolvida nesse prazer.

Pode nos parecer algo muito inocente estar envolvido emocionalmente com a música, mas isso que está presente nesse envolvimento emocional lhe coloca dentro de uma condição de identificação com a música, o que representa esta separação entre o observador e a coisa observada porque entra esse gostar. Então é possível apenas descobrir o que é escutar, sem escutar a melodia, a harmonia, escutar a letra, mas sem colocar uma identidade presente nisso?

Repare, o nosso modelo de existência no “eu”, no ego, nesse observador, é de constantemente dar continuidade a esse sentido de uma identidade presente naquela experiência, que aqui, no caso, é a experiência de ouvir uma música. Mas, repare, nós estamos fazendo isso o tempo todo. Nesse contato com a vida, nesse contato com ele ou ela, ou com toda a experiência externa e interna, assim, esse sentido do “eu”, do ego, ele sempre mantém a sua continuidade, quando ele se confunde com a experiência.

É possível trazer para esse momento um estado de atenção onde haja apenas esse escutar, esse observar, esse perceber, esse observar sem o observador, esse escutar sem esse ouvinte, esse perceber sem o percebedor. Então, nesse momento, ficamos livres do passado. E, quando isso ocorre, há uma grande beleza, escute isso, há uma grande beleza nesta liberdade.

Só então há esta real liberdade de se escutar a música, mas sem psicologicamente, emocionalmente, trazer algum nível de prisão emocional ou sentimental. Porque estamos diante da beleza, da beleza de escutar, da beleza de se escutar a música com tudo que ela representa, sem o sentido do “eu”, sem o sentido do ego. Então, esse escutar é meditação, assim como esse olhar para a esposa ou para o marido, sem o passado. Então, nesse momento, há um encontro real com ele ou ela e, portanto, nesse encontro não existe essa dualidade, não existe essa separação, temos o encontro com a beleza. Assim, esse encontro com a beleza do escutar a música, ou do escutar o outro, ou desse olhar o outro, é que nesse momento o sentido de separação se dissolve. Esse outro está dentro de você. Essa música é aquilo que você é.

Esse é o encontro com a beleza, esse é o encontro com a verdade, esse é o encontro com a liberdade de ser, onde não existe mais esta dualidade, onde não existe mais essa separação. Isso é o fim para esta psicológica condição, que é a condição do “eu”.

Então, o que é esta aproximação desse aprender sobre nós mesmos? É ter uma aproximação desse momento sem o passado. Então, qual é a verdade do fim para essa mente condicionada? É a aproximação da vida sem o passado. É a aproximação do pensamento, do sentimento, da emoção ou da sensação, sem esse elemento que vem do passado, que é o “eu”.

Então, fica aqui um convite para você. Nós temos encontros nos finais de semana, sábado e domingo.

São encontros online. Você encontra aqui na descrição do vídeo o nosso link do WhatsApp para participar desses encontros. Além disso, temos encontros presenciais e também retiros.

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Dezembro de 2024
Gravatá – PE, Brasil