A dúvida e a confusão | Como encontrar Deus | Meditação: o que é? | Aprender sobre Autoconhecimento

Aqui a questão é a questão da dúvida – a dúvida e a confusão. Por que isso está presente em nossas vidas? Por que as nossas ações são ações problemáticas, são ações conflituosas? Porque estamos, basicamente, presos a um padrão de pensamento repetitivo. Nós temos uma forma de lidar com a vida a partir dos critérios do pensamento. Assim, nossas ações são direcionadas pelo pensamento.

Há uma qualidade de ação que nós desconhecemos: é a ação livre do modelo, da estrutura desse condicionamento interno, dessa forma programada de lidar com as situações, que tem por base o motivo do pensamento – eu me refiro a esse pensamento psicológico. O que é esse pensamento psicológico?

Nós temos uma ação, na vida, muito simples, muito natural; ações técnicas são ações assim. Quando você se ocupa com uma determinada tarefa, todo o conhecimento que você tem ali, toda habilidade ou técnica que você tem ali é algo presente em razão de um conhecimento que você traz, de uma experiência que você traz; assim, você faz uso do pensamento, da estrutura do conhecimento técnico, da especialização. Essa qualidade de ação é simples. Não há qualquer confusão ou desordem emocional nessa qualidade de ação; é a ação do conhecimento e da experiência.

No entanto, em nossas relações, o que nós experimentamos em nossas ações é a presença da confusão e da dúvida. A dúvida e a confusão estão presentes na minha relação com você, na sua relação com ele ou ela, em sua relação com situações na vida. Assim, a presença da dúvida e da confusão se constitui de um problema que você não consegue atender, porque não sabe olhar para ele. Tomar ciência do problema é atacar diretamente o problema.

A nossa ideia básica é de escapar do problema, fugir do problema, se desvencilhar do problema, sem a direta compreensão dele. Isso produz ainda mais dúvidas e mais confusão, porque quando você busca escapar de um problema, você tem presente nessa tentativa de escape, nesse movimento de fuga, a presença do medo. Assim, o medo nos impulsiona a fugir; a fuga alimenta o medo e, assim, continuamos na dúvida e na confusão.

O que nos falta na vida é a ciência dessa autodescoberta para uma mente lúcida, clara, que lida com a vida sem esse modelo do pensamento repetitivo. Esse pensamento que se repete é o pensamento psicológico; portanto, não é aquele pensamento do qual você faz uso para lidar com a inteligência comum nesses assuntos técnicos.

Aqui nós precisamos da presença de uma Inteligência de outra ordem; a Inteligência que nos permite lidar com o momento presente livre do pensamento. Nós não precisamos desse fundo de pensamento psicológico para lidar com ele ou ela, para lidar com nós mesmos, para lidar com assuntos na vida.

O que faz necessário aqui a presença da Inteligência, e a Inteligência é esta mente clara, lúcida, que lida com o momento sem o passado. A mente que nós conhecemos é a mente presa a um padrão de condicionamento; nesse condicionamento, temos esse movimento de pensamento repetitivo. Esse pensamento se repete porque ele não se completou, são experiências que não terminaram.

Quando você me aborrece, me ofende, me magoa, o elemento presente aqui, esse “mim”, esse “eu”, fica ofendido, fica aborrecido, fica magoado, guardamos isso. Quando nos encontramos novamente, lá está essa qualidade de sentimento nesta relação, em razão da presença desse pensamento, dessa ideia que eu tenho sobre você sobre quem você é para mim. É isso que aqui estamos chamando de pensamento que se repete, pensamento que continua. Esse é o pensamento psicológico nessa estrutura do “eu”, nessa estrutura do “ego”.

Assim, nós temos uma qualidade de memória que lida com assuntos práticos na vida, e temos uma qualidade de memória que lida com abstrações. Esse sentimento de dor na relação, a presença da rejeição, a angústia, o tédio, a depressão, o estresse, tudo isso representa uma qualidade de ação, no comportamento de cada um de nós, onde está presente esse movimento, que é o movimento do “eu”, do “ego”, esse fundo de memórias que estão presentes de uma forma desnecessária nesse corpo e mente. Esses pensamentos não se concluíram; eles estão presentes aqui dando formação e base a esse “eu”.

Examinar de perto isso, tomar ciência de todo esse processo requer compreender a verdade sobre isso, o que representa olhar diretamente. Aprender sobre o Autoconhecimento é se abrir a esse momento para que conheçamos de uma forma direta a Realidade que aqui está presente além do conhecido, que se revela quando descobrimos a arte da Meditação. Há algo presente na Vida, e sem essa visão daquilo que aqui está presente, não há Amor, Beleza, Liberdade.

O que traz à sua vida a presença do Amor, da Felicidade, da Paz, desta Beleza é a presença da Meditação. Portanto, o que é Meditação? A Meditação, o que ela é? Ela é a presença desta Ciência de Ser, algo que se revela a você como sendo Você em seu Natural Estado de Ser, livre desse fundo de memórias psicológicas, livre desse “eu”, dessa estrutura de movimento de repetição.

A presença dessa mente condicionada para respostas reativas, respostas que nascem do passado, a presença desta mente é a presença do ego. A Verdade da Meditação, que Floresce quando há Autoconhecimento, lhe permite esta Vida se revelando aqui e agora, sem o “eu”, sem o “ego”. Essa é a Verdade de um encontro com Deus neste encontro com a Vida.

A pergunta é: como encontrar Deus? Para essa pergunta só há uma resposta: o encontro com Deus está presente quando não há mais o “eu”, o “ego”, quando não há mais essa estrutura de condicionamento mental, de condicionamento psicológico, de memória psicológica. Portanto, atender a esse momento requer essa Inteligência que liberta você da ilusão de ser alguém aqui, ofendido, magoado, triste, aborrecido com ele ou ela.

O seu Natural Estado de Ser é livre do “eu” e, portanto, livre do sofrimento. Não há dúvida ou confusão neste Ser que é Você. É a presença da mente egoica, em seu movimento de desordem psicológica, alimentando essa separação entre você e o outro, entre você e a vida, entre você e Deus que sustenta os problemas e, naturalmente, os conflitos e o sofrimento.

Quando nós sabemos escutar isso, quando aprendemos a escutar de verdade o que está sendo colocado aqui, esses assuntos se tornam, para cada um de nós, de grande relevância, de grande importância, e, sim, é algo que merece ser considerado com profundidade, todas essas questões que abordamos aqui com você, porque elas envolvem a Beleza de um encontro com a transformação; com a transformação que nasce do Autoconhecimento, desse aprender sobre o Autoconhecimento. Isso Revela a Vida, isso Revela Deus.

E é o que estamos aqui investigado com você, a possibilidade, nesta vida, de nos livrarmos desse centro, desse “eu”, desse “ego”, para irmos além dessa pessoa que vive dentro dessa superficialidade de vida, dessa artificial vida – ofendendo, sendo ofendido, magoando, sendo magoado, aborrecendo outros e sendo aborrecido, entristecendo o mundo e vivendo a tristeza do mundo.

Portanto, será possível ocorrer essa transformação para não mais cultivarmos esse fundo desse modelo de pensamento psicológico? Isso é algo muito, muito radical, é uma quebra completa, uma mudança profunda, é o fim da memória, é o fim do pensamento. Assim, a memória prática, para assuntos técnicos, continua, mas não há mais o peso da memória psicológica, porque agora está presente esta Realidade deste encontro com a Vida, com a Realidade Divina, com a Verdade deste Ser.

Geralmente, no processo de nos transformarmos ou de buscarmos uma transformação na vida, nós buscamos isso de uma forma técnica também, fazendo uso de algum nível de conhecimento técnico também, e aqui estamos lhe dizendo que isso é totalmente desnecessário.

Tudo o que precisamos para esta real transformação, para esta real percepção da Realidade – o que alguns chamam de o Despertar da Consciência –, é descobrir como parar de nutrir essa memória psicológica, essa ideia “eu fui isso ontem e serei aquilo amanhã”.

Este “serei” é o cultivo da memória, e todo o movimento que você faça em direção a esse cultivo de memória é ainda a continuação desta memória, é a memória que continua – talvez em outro formato, mas lá está o “eu”, o “ego”. Por essa razão, não existe uma mudança real, uma transformação real nesse centro. Aqui se trata da detonação desse centro, do fim desse centro, do desaparecimento dele.

Nós temos insistido muito nisso aqui, porque precisamos ouvir muito, mas muito mesmo sobre isso. É por isso que estamos sempre voltando a esses assuntos. Os ângulos são diferentes, mas estamos olhando para essa direção. Essa qualidade de comunicação aqui é bastante complicada, porque, como pessoas, nós não conseguimos escutar, nós não conseguimos ver a Beleza nesta apreciação desses temas, porque estamos por demais envolvidos nesta vida do “eu”, nesta vida do ego.

Se você está aqui, agora, é porque algo lhe tocou internamente para descobrir algo além da mente, além do conhecido, além desse padrão, que é o padrão de uma pessoa, de alguém na vida. Sim, há algo presente além de tudo isso, e quando sabemos escutar corretamente, algo acontece, algo surge.

O real convite à Vida é o convite à Liberdade, ao Amor e à Felicidade. A Ciência de Deus é isso, ela é a Ciência deste Ser, é a Ciência sobre Você. É o que estamos aqui, juntos, trabalhando.

É como quando você se encontra em um lugar extremamente agradável; nesse momento, a sua mente se aquieta, o cérebro silencia e um espaço novo, interno, surge dentro de você, de profundo relaxamento, de profunda contemplação daquele instante, daquele momento. E quando isso está presente, o “eu” não está, o “ego” não está. Em alguns momentos na vida nós nos sentimos assim.

Quando estamos ouvindo uma música, ou assistindo um pôr-do-sol, ou ouvindo o som das ondas ali, assentado, em uma praia, nesse momento há uma quietude natural. Você não silenciou a mente, ela silenciou por si mesma; você não fez uso de uma técnica ou prática de Meditação. Portanto, o real sentido da Meditação é esse espaço que surge de uma forma natural quando o sentido do “eu” não está.

Quando você descobre o que é olhar para o momento presente sem o passado, você não tira conclusões, não faz avaliações, você não faz escolhas, e isso revela esse espaço de silêncio, de quietude, e algo está presente aqui além da mente. O nosso convite aqui é para uma Vida livre, uma Vida Real, uma Vida nesse verdadeiro encontro com Deus, neste viver este Ser, neste viver o Divino.

Assim, esses encontros que nós temos aqui nos finais de semana… nós temos encontros aqui on-line sábado e domingo. Além desses encontros on-line, temos encontros presenciais e, também, retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite.

Novembro de 2025
Gravatá – PE, Brasil