Aquilo que nós temos aqui, com você, investigado, aprofundado, aquilo que aqui estamos procurando compreender juntos é a verdade do real conhecimento. Existe uma expressão na Índia para a presença da ignorância, da ignorância espiritual, da não compreensão, da não visão da vida, eles chamam de avidya. Avidya é ignorância.
Aqui o nosso interesse consiste em compreender o que é essa compreensão, esse conhecimento; é uma qualidade de conhecimento, é a verdade de uma compreensão, diferente daquilo que no intelecto nós entendemos por compreensão ou conhecimento.
Algumas pessoas se dedicam a essa procura pela jnana yoga. A palavra “jnana” é conhecimento, é o caminho do conhecimento dentro desta tradição. Então, nos Vedas, a verdade desta jnana yoga é a revelação desta compreensão, deste conhecimento, o que requer a presença de um discernimento entre aquilo que é real e a ilusão.
Portanto, partimos de um princípio aqui; o princípio é: quem sou eu? Isso nos dá uma direta compreensão ou um direto conhecimento da Verdade Divina. Mas há algo aqui que eu quero chamar a sua atenção para investigar conosco: é a não necessidade de uma aproximação intelectual, como, em geral, nós acreditamos que precisamos.
Nós temos a crença de que lendo muitos livros, estudando muito, teremos uma visão desta Realidade. Enquanto que, na realidade, o que nós precisamos é de discernimento entre o que é falso, para que a Verdade se revele.
Então, o que é falso, o discernimento do falso? É a clareza sobre o falso a Revelação da Verdade, e isso não vem por estudos intelectuais, por leituras de livros. Isso vem quando aprendemos a soltar o falso, a rejeitar o falso – aqui, rejeitar não como uma postura de ação positiva, mas de discernimento.
Ao discernir o falso, há uma compreensão e, nesse momento, naturalmente, um afastamento daquilo. É quando o falso é negado, é quando soltamos o falso, é quando abrimos mão do falso. Nós aqui, com você, estamos investigando essa questão desse encontro com Deus, na pergunta “como encontrar Deus?”, assim como na pergunta “como encontrar a Felicidade?”, e isso requer a presença desta qualidade de conhecimento, desta qualidade de compreensão.
Aqui, quando usamos a palavra “conhecimento” é no sentido de uma compreensão, e não no sentido que nós geralmente empregamos para essa palavra. Para nós, o conhecimento é algo que se adquire, é uma informação que se recebe. Quando, por exemplo, eu posso pronunciar o seu nome, é porque eu conheço. Sim, esse conhecimento é algo que eu adquiri, é um conhecimento aprendido. Assim, eu guardo em mim a informação.
Em geral, nós chamamos de conhecimento a informação guardada, aquilo que foi aprendido. Aqui, o contato com a verdade da compreensão, da real percepção da vida, é o que nós chamamos de conhecimento. Não é algo que se adquire, que teoricamente temos dentro de nós como palavras, como lembranças, como experiências guardadas.
O contato com a vida é a compreensão. Essa compreensão é o real conhecimento da Verdade, da Verdade Divina. Portanto, como encontrar Deus? Assumindo a Realidade que aqui está presente quando há o discernimento entre o Real e o falso. Aquilo que é falso, aquilo que é ilusório se desprende, se desloca e se dissolve.
Essa é uma visão Real da vida, essa é a verdadeira compreensão do que é, sem a ideia, sem o conceito, sem o modelo do pensamento sobre como as coisas deveriam ser, sobre como a vida deveria acontecer. Esse “deveria acontecer”, esse “como poderia acontecer”, está dentro do campo do pensamento.
O pensamento não retrata a Realidade. O pensamento é uma fotografia do passado, não lida com o momento presente. O pensamento é algo em nós presente que lida com o passado. Veja, é algo presente, que surge nesse instante, mas trazendo do passado uma representação. Assim, a presença do pensamento desfigura a Realidade do momento. Não é o retrato da Realidade, é a interpretação.
Olhe para si mesmo e você irá perceber que a avaliação que você tem, a comparação que você tem, a discriminação que você faz do instante, do momento presente, se revela agora em razão de um momento que já foi. Esse momento é o passado; esse passado é o pensamento surgindo aqui, nesse momento, fazendo esta avaliação, essa comparação, aceitando ou rejeitando, gostando das coisas ou não gostando.
Nós não sabemos o que é ter um contato com o momento quando olhamos para o momento a partir do pensamento – e é isso que nós temos feito. Isso nos impede de ter um real encontro com a Vida. Esse encontro com a Vida é o encontro com a Felicidade.
Para nós, a Felicidade é algo para ser encontrado amanhã. Aqui, o encontro com a Felicidade é nesse instante, quando não há mais a ilusão do que deveria ser, quando não temos mais a ilusão do modelo desse retrato, que é o pensamento avaliando, julgando, comparando esse momento com algum momento que já foi ou com algum momento que será. O momento que será é a imaginação do pensamento. O momento que já foi é a lembrança da memória, que é pensamento.
Portanto, como encontrar a Felicidade? O seu encontro com a Felicidade é o seu encontro com a Vida, quando não há mais a ilusão que desfigura a realidade do momento, quando este falso é abandonado, quando essa ideia, quando essa conclusão, avaliação não está mais presente.
Como encontrar Deus? A presença desse encontro é a presença do Silêncio, da Revelação da Vida sem o “eu”. A verdade da Meditação lhe aproxima desse momento, desse momento de Revelação d’Aquilo que é real.
Portanto, o que é Meditação? É um encontro com o instante sem o passado, é um encontro com o momento sem o pensamento. A revelação desse momento é esse encontro; esse encontro é a Revelação de Deus, e aqui está a ciência da Felicidade. Tudo isso requer a presença de uma compreensão clara sobre quem nós somos.
Portanto, a pergunta é: quem sou eu? Assim, na jnanna yoga, ou na visão do discernimento da Realidade, nós temos esta pergunta para discernir o falso, para compreender a ilusão. A compreensão da ilusão, o discernimento do falso, é o fim do falso, é o fim da ilusão. Isso requer a presença da compreensão de nós mesmos.
Portanto, aprender sobre o Autoconhecimento é estudar como a mente está aqui acontecendo para cada um de nós, a forma como a mente acontece, a maneira como ela se processa em cada um de nós sustentando o seu velho modelo de continuidade do passado.
A vida é algo aqui, nesse instante, se revelando. Não há esse encontro com a vida aqui, neste momento, quando confrontamos aquilo que é, que é o que está aqui se mostrando, com a ideia do que deveria estar aqui se mostrando. Então, nós confrontamos o que é com o que deveria ser, porque estamos sustentando esse velho modelo de pensamento presente em cada um de nós, de mente presente em cada um de nós.
É a visão do discernimento, é a visão da compreensão, é a visão do conhecimento o fim para esta condição. Mas eu continuo dizendo aqui: não é o conhecimento que se adquire, é o conhecimento que nasce do discernimento daquilo que é falso, daquilo que é ilusório. Nós não temos como nos aproximar de Deus a partir do pensamento, porque o pensamento tem sua base no que já foi.
Essa aproximação da Realidade Divina, essa aproximação de Deus pelo discernimento é o descarte do falso, então há compreensão, há conhecimento de Deus. Conhecer Deus é Ser. Não há uma separação entre a Realidade deste Ser e a Verdade de Deus. Não há qualquer separação entre a compreensão de Deus e a Realidade daquilo que aqui está presente além desse “eu”, que é esta Presença de Ser. Me refiro à Natureza da Verdade sobre Você.
Então, a compreensão de Deus é Ser, o conhecimento de Deus é Ser, assim como a Felicidade é Ser, esta é a presença da Vida, esta é a presença da Realidade. O nosso enfoque aqui, todo o nosso trabalho aqui consiste nesse estudar nossas reações para o descarte da ilusão desse modelo de pensamento. Esse modelo de pensamento é o pensamento que vem do passado e que sustenta essa identidade.
Observe que todo pensamento em você é só uma lembrança, mesmo o pensamento de objetos. Objetos só são reconhecidos com base na lembrança, na memória. Quando você reconhece um objeto, reconhece porque se lembra – se lembra da forma, do nome. É a presença do pensamento a lembrança desse objeto.
Mas há uma qualidade de pensamento que dá estrutura ao falso, a esse centro ilusório, que é o “eu”, o ego, e é essa qualidade de pensamento que nos mantém na ignorância, em avidya, na ilusão de uma identidade que se vê presente se separando do momento, se separando da vida, se separando de Deus.
É a crença, é a sugestão, é a condição hipnótica, é a condição de sono de uma identidade que se vê presente, uma sugestão dada pelo pensamento, por essa qualidade de pensamento, que é o pensamento psicológico. Não é o pensamento sobre os fatos, não é o pensamento das lembranças dos acontecimentos, das ocorrências, dos objetos, dos lugares.
Não é o pensamento que nos dá a lembrança dele ou dela. É a qualidade de pensamento que nos faz ver ele ou ela como uma pessoa, como uma imagem que eu tenho sobre quem ela é, sobre quem ele é. É a qualidade de pensamento que nos dá uma imagem, a imagem de quem nós somos para nós mesmos. Essa qualidade de pensamento é o pensamento psicológico, é a memória psicológica, que sustenta esse “eu”, esse ego, essa pessoa.
Portanto, esse encontro com a Realidade Divina, esse encontro com a Realidade da Felicidade, da Verdade de Ser, consiste no desaparecimento desse “eu”, desse ego, desse ilusório modelo de identidade que se sustenta nesse pensamento psicológico.
A nível objetivo, prático, o pensamento é interessante, ele é funcional, ele é prático, ele é algo objetivo. O pensamento é algo tão objetivo e claro quanto um objeto diante dos seus olhos. Estamos lidando com algo material. Mas quando lidamos com o modelo do pensamento psicológico, estamos lidando com uma abstração, com um modelo de imaginação, de ideação, de ficção.
A presença da pessoa que ela é para mim, isso é uma ideia, uma ficção, uma imaginação. Não estamos lidando com algo prático, estamos lidando com uma abstração mental quando estamos lidando com pessoas a partir da pessoa que eu acredito ser.
Não existe uma pessoa presente, a não ser que o modelo do pensamento esteja aqui criando esta imagem, essa ficção, essa imaginação, essa abstração. Não precisamos do modelo do pensamento psicológico para lidar com a vida, para lidar com o momento presente, para lidar com ele ou ela, para lidar com a Realidade que aqui está, que é a Verdade de Deus.
Nós colocamos essa autoimagem para fazer isso, colocamos essa pessoa, e, assim, estamos imaginando todo tipo de coisa. Imaginamos Deus, imaginamos a felicidade, imaginamos ele ou ela, imaginamos a vida. São quadros mentais, são ideias, são crenças, são abstrações. É o modelo do pensamento psicológico que está alimentando isso.
Podemos nos livrar desta ilusão? Podemos romper com essa condição psicológica para uma vida livre do pensamento? É quando o pensamento cessa. Nós não precisamos do pensamento, a não ser para lidar com assuntos bem práticos na vida, nesse sonho que chamamos de vida. Então, sim, o pensamento está lá.
Na realidade, o pensamento, como qualquer outro fenômeno, nesse sonho de existência, é algo que continua aparecendo. Mas podemos, internamente, viver livres dessa ideia, dessa sugestão de uma identidade presente que olha para a vida a partir do passado, a partir desse modelo psicológico de representação mental, que é o pensamento? É o que estamos vendo aqui, com você.
O seu real encontro com a Vida é o verdadeiro encontro com Deus, é a Revelação deste Ser. Isso é Amor, Felicidade, Liberdade, isso é Ciência de Deus, algo presente quando floresce esta visão, que é a visão do Autoconhecimento. Então nos deparamos com a Realidade, com Aquilo que está além do “eu”, além do ego, além da mente.
É isso que estamos trabalhando aqui com você nesses encontros. Nós temos encontros online nos finais de semana, sábado e domingo. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e, também, retiros. Portanto, se isso é algo que faz algum sentido para você, já fica aqui um convite para participar desses encontros.















