Aqui a questão é: “Por que existe este sofrimento psicológico presente em cada um de nós?” Ele é algo presente porque não estudamos a verdade sobre quem nós somos, sobre como a mente em nós acontece, como ela funciona; é a ausência da compreensão.
Nós estamos vivendo em um padrão de comportamento que se sustenta naquilo que o pensamento avalia. O pensamento é o elemento que faz avaliações, ele olha para o momento presente dentro de conclusões que ele tem. A vida no pensamento é a presença de uma vida dentro do reconhecimento que o pensamento pode alcançar, pode perceber, pode lidar com isso.
É interessante saber aqui, compreender aqui, algo fundamental: o pensamento é um elemento dentro de uma limitação, ele não abarca a visão da totalidade da vida. Assim, suas avaliações são avaliações limitadas, e nós estamos vivendo dentro destas limitações como pessoas. Então, por que existe tal coisa como esse sofrimento mental? Porque estamos vivendo na mente.
Mas o que é a mente? Qual é a verdade sobre a mente? O interno movimento de consciência em nós, o que isso significa? É a presença do reconhecimento; um reconhecimento que, como nasce do pensamento, vem do passado. Reparem as implicações disso. O que você sabe sobre o outro? Tudo o que você pode saber sobre ele se baseia naquilo que o pensamento tem a dizer sobre ele.
O que você pode saber sobre si mesmo, a não ser aquilo que o pensamento lhe conta? É isso que faz com que você não tenha apenas uma ideia sobre quem você é, mas também uma ideia sobre quem o outro é. Você não tem a verdade sobre ele, você não tem a verdade sobre si mesmo; você tem o que o pensamento conta. Nós temos que investigar isso, ter uma clara compreensão dessa limitação.
Se aqui, por exemplo, eu faço uso de uma expressão, de uma palavra, de imediato, no seu cérebro, isso cria uma representação mental; essa representação mental no seu cérebro não é a realidade, é a imagem que o pensamento está produzindo sobre aquilo que aqui estamos falando.
Observe que cada palavra no dicionário tem inúmeros significados. Então, do que exatamente estamos falando aqui? Se qualquer uma dessas palavras tem diversos significados, o pensamento pode criar uma imagem específica de uma dada palavra e, no entanto, não é isso que aqui estamos comunicando.
Então, como é que podemos nos aproximar da vida, como é que podemos nos aproximar do outro, ou de nós mesmos, a partir da palavra? A palavra é um elemento de comunicação, mas ela está limitada a essa condição de diversas interpretações. Essas são as avaliações do pensamento. Nós não temos um contato com a vida como ela acontece, com nós mesmos, como nós somos, com o outro, como ele é; e não temos porque não aprendemos a observar, apenas observar.
O nosso olhar fica contaminado pelo pensamento, por esta avaliação, por estas diversas interpretações que a imagem cria – nós estamos fazendo isso o tempo todo. Portanto, se eu uso aqui uma palavra, seja ela qual for, como por exemplo a palavra cadeira, você tem logo uma imagem, mas não sabe de que cadeira eu estou falando, porque há inúmeras cadeiras, são variadas as formas de cadeiras; e você tem uma imagem particular de uma cadeira, mas você não sabe se é dessa cadeira que eu estou falando. Então, essa é a dificuldade.
Nós estamos lidando com a vida a partir do pensamento, a partir da avaliação que em nós o pensamento está fazendo sobre aquela dada coisa. Todo o nosso contato com o outro, com nós mesmos, com as situações na vida, a partir do pensamento, é a partir de um pensador, de alguém que está avaliando, ou seja, tirando conclusões, formando imagens, tendo ideias a respeito daquilo.
Aqui a pergunta é: será possível um contato com a vida sem ideias, sem imagens, sem avaliações e, portanto, sem os pensamentos? Uma qualidade de contato assim seria fundamental para uma compreensão real. Nós não sabemos o que é essa compreensão real, porque estamos vivendo no pensamento.
Por que nós precisamos aprender sobre o Autoconhecimento? Porque é isso que irá nos revelar a Verdade da Vida como ela é. Você não pode ter a Realidade da Vida como ela é a partir da ideia equivocada sobre quem você é. E essa ideia equivocada é a ideia que o pensamento tem formado sobre quem você é, e nós estamos vivendo neste pensamento.
Não podemos ter uma compreensão da vida sem antes termos uma compreensão da verdade sobre o pensamento, sobre esse modelo de imagem que o pensamento estabeleceu sobre quem nós somos. Mais uma vez: esta imagem é uma imagem particular de uma avaliação, de uma comparação, de uma autoaceitação ou autorrejeição.
Notem a implicação disso: nós não estamos lidando com a verdade sobre nós mesmos, estamos apenas lidando com uma imaginação sobre quem nós somos, quando estamos assentando nossa particular pessoa presente, que é a imagem que o pensamento está estabelecendo – estabelecendo dentro das nossas relações, com nós mesmos e com o mundo à nossa volta. Repare o quanto isso é complicado.
Aprender sobre o Autoconhecimento é investigar a natureza desse “eu”, a natureza dessa autoimagem, a natureza dessa qualidade de pensamento. Uma real aproximação de si mesmo é uma nova visão da vida, sem o “eu”, sem esse que pensa, que sente, que faz, que avalia, sem esse que compara ou julga. E quem é esse? Esse é a presença do pensamento, nessa autoimagem. É isso que nós temos como sendo nós mesmos, a pessoa. A pessoa é essa autoimagem.
Aprender sobre nós mesmos é descobrir a verdade sobre isso; e quando temos a plena ciência da verdade sobre isso, aquilo que nós conhecemos como pensamento em nós sofre uma profunda, significativa e radical mudança. É quando temos o encontro com Algo além do pensamento, e isso é o fim do sofrimento mental. Esse sofrimento mental é a presença daquele que sofre. Não há uma separação entre esse sofrimento e aquele que sofre.
Agora, o que é basicamente esse sofrimento? Se não há uma separação entre o sofrimento e aquele que sofre, e se já ficou claro que este que sofre é o próprio pensamento, que é essa autoimagem, este é o “eu”, o “eu” que sofre. Portanto, o fim para o pensamento psicológico, o fim para o pensamento, é o fim para o sofrimento. Assim, o contato com a Realidade elimina a ilusão, e a ilusão é essa pessoa, a autoimagem, o “eu”, e isso não é outra coisa a não ser o pensamento nesse formato.
Assim, nós deixamos de viver no pensamento para assumir a Realidade de Ser. Esse é o nosso verdadeiro encontro com a Verdade. O encontro com a Verdade é o encontro com Deus. Reparem que coisa extraordinária nós temos agora aqui: como encontrar Deus? Assumindo a Realidade da Vida sem o “eu”. Não é algo para o futuro, não é algo para o amanhã, não é algo para depois.
Deus não está lá esperando você. A Realidade de Deus, a Verdade Divina, a Verdade sobre a Vida, está aqui e agora, quando o “eu” não está. Essa ciência, esta Revelação, é a presença da Meditação. Portanto, quando nos aproximamos desse aprender sobre nós mesmos, estamos tendo uma resposta para a pergunta: “O que é Meditação? A Meditação, o que é?” Teremos alguém na prática? Teremos alguém presente no exercício, na técnica, quando temos a presença da Meditação? A resposta é simples: não existe alguém presente quando a Realidade está presente.
Portanto, a presença da Meditação é a ausência do meditador. Quando temos a Revelação deste Ser, o que requer a presença do Autoconhecimento, aqui está a resposta para a pergunta: “A Meditação, o que é?” É a Revelação deste instante, quando o “eu” não está. Assim sendo, nós estamos diante desta ciência da Vida quando aprendemos a olhar para ela sem o velho modelo do pensamento, que avalia, julga, compara, tira conclusões, interpreta.
Estamos em um direto contato com a Vida quando o pensamento, ou a palavra, ou o símbolo, ou a imagem, não estão mais presentes. Portanto, aqui nesses encontros, investigar isso é assumir a Verdade daquilo que aqui está presente, sem o “eu”. Esse momento aqui, por exemplo, é algo que requer um encontro além da palavra e, portanto, além do pensamento, além desses diversos significados que estamos dando para cada palavra, para cada imagem, para cada símbolo.
Nós precisamos aqui ter um encontro além da fala, onde, no coração, algo novo surge, algo novo acontece. Acontece nesse espaço entre as palavras, acontece aqui nesse olhar, nesse sentir, nesse perceber. A real comunicação é esta comunhão além do conhecido, além de todo esse simbolismo de palavras, de imagens, de representações mentais, algo além do pensamento.
Assim, esse momento aqui, como todo e qualquer momento, é sempre uma oportunidade para a Meditação, uma vez que a presença da Meditação é a ciência do momento, sem interpretações, sem avaliações, sem comparações, sem pensamento. Portanto, o que é esse aprender sobre nós mesmos? O que esta presença da Meditação? É se aproximar desse instante e apenas escutar, olhar, perceber.
Portanto, não julgue, não compare, não avalie, não interprete. Então, nesta Atenção, nesse simples e direto escutar, algo além da fala, além das palavras, acontece. Então, repare: esse é um momento aqui de Meditação, esse é um momento aqui de encontro com o Silêncio, de encontro com a Liberdade, encontro com a Paz. É a Realidade deste Ser a Verdade sobre Você. Esta é a Divina Presença, é a Real Consciência, é aquilo que aqui está presente além do “eu”, além do ego.
Portanto, o nosso real encontro com Deus consiste nessa ciência de Ser, de simplesmente Ser. Isso é o fim para o sofrimento mental, isso é o fim para essa ideia de alguém presente sendo o pensador, o experimentador; isso é o fim para essa ideia da pessoa, desse “mim”, desse “eu”. O seu real encontro com a Vida consiste na constatação deste momento. É o que estamos aqui, juntos, trabalhando nestes encontros.
Nós temos encontros online nos finais de semana, onde estamos sábado e domingo trabalhando isso com você – são dois dias de uma forma online. Além dos encontros online, temos encontros presenciais e também retiros. Se isso que você acaba de ouvir é algo que faz algum sentido pra você, já fica aqui um convite.















