Nós temos um número muito grande de visão equivocada da vida. Uma delas é essa questão desse aprender no que diz respeito a como nós funcionamos. Por exemplo, nós temos o caso dessa procura ou dessa busca de descoberta de como lidar consigo mesmo, nessa questão da autoimagem, algo conhecido em psicologia.
Então as pessoas querem, teoricamente, através de palestras ou de livros ter uma aproximação dessa autoimagem segundo a psicologia, ou a qualquer aspecto psicológico do “eu”, tendo uma aproximação teórica, conceitual, verbal sobre isso. Nós aqui estamos investigando com você, de uma forma direta, por nós mesmos, de uma forma vivencial como nós funcionamos.
Veja, nós precisamos abandonar esse equívoco, essa grande confusão mental que temos, que é essa crença de que podemos aprender psicologia fora de nós mesmos. Esses aspectos internos de pensamento, sentimento, emoção, sensação, percepção são algo para ser estudado aqui, em nós mesmos. Nenhum psicólogo, nenhum filósofo, nenhum livro, nenhum especialista vai lhe dar a visão sobre quem é você.
Nós precisamos ter uma visão da vida, e isso requer a visão sobre quem nós somos, e essa visão sobre quem nós somos um outro não pode nos dar. Você não tem como aprender sobre si mesmo segundo esse ou aquele especialista, a partir deste ou daquele livro, ou desta ou daquela técnica.
Aqui estamos com você descobrindo o que é esse novo aprender, esse aprender sobre o Autoconhecimento, esse aprender sobre nós mesmos. Isso requer a presença desse olhar direto para como nós funcionamos, nesse contato com as relações.
Notem, as nossas relações com pessoas nós temos chamado de relacionamentos. Mas esses relacionamentos não são apenas com pessoas, toda nossa relação com a vida são relacionamentos. Nós sempre estamos dentro de relacionamentos com situações, com eventos, acontecimentos.
Quando estamos em um ambiente, nós estamos dentro de um relacionamento com aquele ambiente, com tudo que ali está presente; é uma questão de relação, sim, e relacionamento também. Mas em especial usamos a expressão “relacionamento” nesse contato com pessoas, então aqui se trata dessa questão das relações humanas.
Nós precisamos tomar ciência do que são essas relações humanas, de como nós funcionamos nesses relacionamentos, porque o meu contato com o marido, com a esposa, com o filho, com o chefe, com os empregados, com os funcionários, com pessoas a minha volta são contatos que sempre estarão presentes, mas são contatos em que neles nós não temos a presença daquilo que se faz necessário para uma relação.
As nossas relações são relações equivocadas, são relações sem um contato real e direto, portanto, nós não temos a presença do elemento principal nessa relação, que é a presença da comunhão, desse compartilhar com ele ou ela. Assim, nós não temos a presença da Verdade, que é a presença do Amor, dentro da comunhão, na relação. Então, o que nós temos presente nessas relações, nesses relacionamentos, é na verdade um afastamento.
A contradição, o conflito, o sofrimento, os problemas se estabelecem dentro de relações em razão da ausência dessa comunhão, desse compartilhar, dessa visão inteligente dentro da relação, e ela não está presente em razão dessa autoimagem, a imagem que eu tenho sobre quem eu sou e a imagem que eu faço sobre quem o outro é dentro dessa relação ou relacionamento. Essa autoimagem cria a separação. Reparem como isso é básico aqui.
O que é, na verdade, essa autoimagem? Ao olhar de perto minha reação, percebo que ela se assenta no pensamento que faço sobre ele ou ela; esse pensamento que tenho sobre ele ou ela não é real. Nós não estamos lidando com a realidade do momento quando a nossa resposta para esse momento é uma reação que vem do passado – ela vem do passado porque ela nasce do pensamento.
Então, esse contato que tenho com ele ou ela com base no pensamento, com base na autoimagem é uma relação de separação, de divisão. Se temos a divisão, se temos a separação, se temos essa distância, nós não temos comunhão, nós temos a presença da divergência, da diferença, do equívoco, nós temos a presença da ilusão. É isso que tem alimentado, dentro das nossas relações, dos nossos relacionamentos, o conflito, o sofrimento.
O marido não conhece a esposa, mas tem uma ideia sobre quem ela é. Num contato durante quinze anos, você vem guardando dela ou dele, você vem registrando dele ou dela experiências aí, no pensamento, na memória; é esse pensamento, é essa memória, são essas experiências que reagem. Você nunca está num contato real com ele ou ela quando esse contato se assenta no pensamento, nesse registro de memórias de quinze anos, de vinte anos.
Então nós temos uma falsa sensação, uma falsa percepção, uma falsa visão do momento presente nesse encontro com ele ou ela, isso porque nós acreditamos que nós conhecemos a pessoa, enquanto que, na verdade, o que temos dele ou dela são imagens, algumas desagradáveis e outras agradáveis, e é só o que tenho dele ou dela. Portanto, não estamos lidando com a verdade quando estamos lidando com imagens. Essa é a separação, essa é a divisão entre eu e ela.
Notem que essa divisão não só se estabelece na relação familiar, entre marido e esposa, entre esposa e marido, entre filhos e pais, se estabelece entre cidades, entre nações. Então nós estamos vivendo uma vida conflituosa, aflitiva, sofrida, em razão da presença dessa autoimagem, e psicologia não resolve, leitura de livros não resolve, ouvir palestras não resolve.
É a aproximação de si mesmo, desse olhar direto para isso que está presente aqui, quando você aprende o que é olhar para isso de uma forma direta, sem colocar esse elemento que vem do passado, que é o próprio pensamento, para concordar ou discordar de uma imagem que ele mesmo está produzindo. Veja, nesse momento nós conseguimos romper com essa separação, que é a separação entre o pensamento e o pensador. Essa separação é aquilo que o pensamento tem se utilizado para manter a sua continuidade, que é a continuidade da autoimagem.
Então o que é olhar de uma forma nova? É olhar sem o observador, sem o pensador, é olhar sem esse “eu”, é se dar conta dessa imagem quando ela surge nesse contato com ele ou ela; quando você apenas se dá conta, nesse momento você está trazendo atenção para esse instante, uma atenção completa que elimina a continuidade desse “eu”, dessa autoimagem. Veja, nesse momento nos aproximamos não só da Verdade do Autoconhecimento, nos aproximamos da ciência da Meditação.
Qual é a Verdade sobre a Meditação? É ter uma aproximação de si mesmo nesse instante, sem colocar esse “mim”, esse “eu”, nesse olhar, nesse observar, nesse constatar, nesse perceber. Sim, é exatamente isso: o perceber sem o percebedor, o olhar sem esse elemento que olha, o observar sem o observador, é o pensamento sem o pensador.
Então temos um contato, nesse momento, com aquilo que traz a presença deste Silêncio, porque nesse momento o cérebro se aquieta, todo esse movimento de reação, de resposta egocentrada, centrada no “eu”, se desfaz. Nesse momento temos um espaço novo; esse espaço é o espaço do Slêncio. Então o Silêncio está presente, porque a mente se aquieta, e quando ela se aquieta, temos um contato com o momento presente sem o passado, sem o “eu”, sem o “ego”. Então, nesse instante algo acontece, e esse algo é o fim dessa auto imagem.
Portanto, será possível um olhar sem o passado, um perceber sem o passado? Experimente isso. No próximo contato que você tiver com alguém que você conhece, se dê conta desse movimento do passado surgindo. Apenas se dê conta disso, olhe para isso. Ao olhar para isso, você se desfaz do passado, então você está olhando o outro pela primeira vez.
Veja, é um olhar sem o passado, é um olhar sem esse fundo de memória. Nesse instante, há só o reconhecimento do rosto, do timbre de voz dele ou dela, mas você não tem nenhum conteúdo psicológico de imagem, de representação mental, que vem do passado, nesse gostar ou não gostar dele ou dela. Então é um olhar livre do “eu”, livre do ego, é um olhar que é Meditação, é um perceber que é Meditação.
Nós precisamos desse estado de Presença de Atenção, de Real Atenção, para esse momento, para quebra desse padrão de condicionamento mental, de programação mental, isso é o fim da autoimagem, isso é o fim do “eu”. Então, qual é a verdade dessa Atenção Plena? O que é Atenção Plena? É aprender a ter essa aproximação desse momento sem o passado.
Então, a verdade desse olhar sem o fundo da memória, do reconhecimento, do conhecimento, que vem do passado, é a Atenção. Reparem que isso é algo muito simples, por exemplo, no contato com a natureza. Quando você está em um espaço novo ou num contato com a natureza, o seu olhar é sem o passado. Você apenas olha, observa, constata, mas não tem você nesse observar, nesse olhar, nesse constatar.
Podemos eliminar das nossas vidas o passado para estarmos num contato com o momento presente aqui, nesse instante? Esse é o contato com a Vida, esse é o contato com a Liberdade, que é o fim do “eu”, que é o fim do ego. Então Algo se mostra nesse instante; esse Algo não está no tempo, esse Algo não está na mente, esse Algo não está no passado, esse Algo não faz parte do pensamento.
É quando podemos ter a ciência do Ser, a ciência de Deus, a ciência da Verdade. Então, o seu contato com ele ou ela é o contato com a Vida, porque não há separação, não há divisão. Temos, sim, a Presença de um real contato, de uma verdadeira comunhão, essa é a Presença do Amor.
Então, estamos dizendo aqui, de uma forma clara para você, que nesta vida, sim, é possível uma vida livre do ego, livre do “eu” nesse contato com ele ou ela, sem a ideia que o pensamento cria e estabelece produzindo confusão, produzindo desordem, com base nessa estrutura de autoimagem; é um contato, um olhar ou uma visão sem o passado.
Aqui, com você, nós estamos aprofundando esse assunto; esse assunto é o Despertar da Consciência, é a Iluminação Espiritual, é a visão de Deus, é a visão do seu Ser. Um contato com a vida nesse momento sem o passado é Advaita, é a visão da não dualidade, é a visão da não separação, é a visão de Deus.
A palavra Advaita significa “o Primeiro sem o segundo”, é o que temos enfatizado aqui nesses encontros. Há uma Realidade presente, e essa Realidade presente não é a pessoa, essa Realidade presente é a Realidade Divina. Esse sentido de pessoa é algo que o pensamento, como uma cortina, está trazendo, criando essa ilusória separação, essa ilusória divisão entre esse “eu” e o não “eu”. A Realidade é a Realidade do seu Ser; esta Realidade é a Realidade de Deus.
É isso que estamos trabalhando aqui com você. Nós queremos lhe convidar para os nossos encontros online nos finais de semana, onde sábado e domingo estamos juntos aprofundando isso com você. Fora esses encontros, nós temos encontros presenciais e, também, retiros.