GC: Olá, pessoal! Estamos aqui para mais um videocast. Novamente, o Mestre Gualberto aqui conosco. Gratidão, Mestre, pela presença. Hoje eu vou ler um trecho do livro de Joel Goldsmith chamado “Deixe Suas Redes.” Num trecho desse livro, Mestre, o Joel faz o seguinte comentário: “Isso é buscar o Reino de Deus e, depois, as coisas são acrescentadas, porque Ele se derrama”. Nesse trecho o Joel comenta sobre essa questão da busca espiritual. O Mestre pode compartilhar a sua visão sobre esse assunto da busca espiritual?
MG: Gilson, essa questão da busca espiritual precisa ser compreendida. Enquanto houver esse movimento de busca, tudo que estaremos fazendo é mantendo a ideia de futuro para alcançar. No entanto, aqui a pergunta é: alcançar exatamente o quê? Observe que o buscador está na busca daquilo que ele tem como ideal para ser encontrado. Nós precisamos ver isso aqui: a primeira coisa é a própria ideia de futuro para encontrar; a segunda, é aquilo que a gente tem como projeto para encontrar. Veja, aqui estamos lidando com dois aspectos dentro da busca, que nós precisamos investigar se há qualquer verdade nisso. O buscador espiritual, na verdade, o que é que ele está buscando? O que quer que ele esteja buscando sempre estará dentro daquilo que o pensamento, nele, idealiza ser real. Então, o pensamento, em cada um de nós, idealiza, para cada um de nós, aquilo que é real; mas, veja: aquilo que é real para ele! Por isso eu disse “aquilo que o pensamento idealiza, nele, como sendo real”.
Então, veja que situação atrapalhada é essa nossa. Essa busca espiritual baseada no pensamento. o que quer que o pensamento esteja buscando é algo que ele idealiza para ele, e o que ele idealiza para ele é parte do conteúdo dele, porque todo pensamento tem, por princípio, aquilo que ele conhece. Repare, observe isso em você: você não pode ter um pensamento de algo desconhecido; todo pensamento que você tem é algo do conhecido. Assim são as nossas buscas. Você só pode estar procurando aquilo que você conhece. No entanto, aquilo que você conhece, identificável pelo pensamento, é parte do pensamento, não pode ser a Verdade. Então, nós dificilmente atentamos para isso; tão básico, mas, ao mesmo tempo, algo muito chave. Toda essa busca é a busca dentro do conhecido, porque é a busca dentro daquilo que o pensamento idealiza como sendo real. Mas, se faz parte do pensamento, está dentro do conhecido.
Assim, aqui, a primeira coisa é descartarmos completamente essa ideia da possibilidade de termos um encontro fora do conhecido, uma vez que esse encontro, na mente, será sempre dentro do conhecido. Então, se a pessoa está nessa busca por Deus, ela não pode colocar Deus dentro do conhecido. Assim sendo, que espécie de busca é essa que fazemos nesse próprio movimento do pensamento que nós temos? É, naturalmente, um movimento de busca de uma autoprojeção. Nós precisamos, Gilson, é de uma Constatação da Realidade, e não da busca daquilo que o pensamento idealiza como sendo real. Então, esse é o primeiro aspecto. E o segundo grande aspecto, determinante de ilusão e fracasso na busca, é que toda busca pressupõe tempo. Qualquer coisa que você possa encontrar não será a Realidade, porque a Realidade não se encontra no tempo. Ela se constata exatamente quando o tempo termina, porque estamos lidando com algo que não está no futuro.
Temos que investigar a natureza daquilo que se passa conosco. Se realmente pretendemos ter uma Vida Divina, uma Vida Real; se pretendemos descobrir algo fora dessa forma de existência de modelo de vida centrada no “eu”, centrada no ego, como têm sido em nossas vidas, nós temos que investigar essa questão de que qualquer elemento que você possa encontrar em sua busca, ainda faz parte do conhecido, e que qualquer coisa que você possa encontrar, só poderá encontrar dentro do tempo. Colocando de uma outra forma, Gilson: não é da busca que nós precisamos; é exatamente do fim da busca, do fim desse movimento de busca, do fim desse movimento de procura. Então, esses dois aspectos nós acabamos de colocar para você, mas agora nós temos, aqui, um terceiro aspecto bastante intrigante, bastante interessante, que é a verdade de que você não vai até Deus. Você não tem o endereço d’Ele, Ele não é algo dentro do conhecido, não é algo dentro do tempo. E esse terceiro aspecto – que é bem interessante e, ao mesmo tempo, maravilhoso – é o fato de que é Deus que se revela. Não é você que vai a Ele, é Ele que vem. No momento em que você está pronto, Ele vem.
É muito comum e conhecida a expressão, nesse próprio meio e ambiente de busca, só que a gente não consegue ver o que essa expressão diz. A expressão é a seguinte: “Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”. Apenas quando você está pronto para esse encontro, você não vai até Ele, Ele vem até você. Não é você que encontra Deus, é Deus que o encontra; você não vai até a Graça, é a Graça que se revela. Então, nós precisamos apenas assumir a verdade desse encontro. Nesse sentido, só existe uma coisa aqui para se fazer: é atender a esse chamado quando, pela Graça Divina, ele acontecer. Se ele, neste momento, está acontecendo a você, é por uma Ação da Graça que você está aqui neste encontro. Se esse momento está acontecendo para você, é por uma Ação Divina que você está recebendo um chamado para ir além do mundo, para ir além da mente, para ir além do corpo, para ir além do “eu”.
Portanto, Gilson, o nosso grande encontro com a Verdade é a Verdade assumindo esse espaço d’Ela em nossa mente, em nosso coração; expressando, assim, a Verdade d’Ela mesma, assumindo esse lugar d’Ela própria, porque é esse o lugar d’Ela. Não existe alguém presente aqui, na vida, a não ser Ela, Ela é a Realidade, Deus é a única Realidade. Então, é essa Graça Divina que nos atrai até Ela. Não é de uma busca que nós precisamos, e sim de uma sensibilidade, vulnerabilidade e disposição para um trabalho direto para esse Despertar, em razão desse grande Chamado Divino. E isso é exatamente o que estamos propondo aqui para você: ter uma aproximação da Realidade do seu Ser, da Realidade de Deus, apenas se tornando disponível e aprendendo o que é aprender sobre si mesmo, o que é observar as reações, se tornar disponível para este trabalho.
Quando estamos prontos há, dentro de cada um de nós, algo queimando por isso, então um trabalho realmente acontece nessa direção. Descobrir o que é olhar, tomar ciência, ficar cônscio de si mesmo, neste instante. desses pensamentos, sentimentos, emoções, sensações, ações, gestos, a linguagem, a palavra. o que quer que esteja surgindo neste momento, apenas olhar, descobrir o que é se aproximar dessa compreensão de si mesmo, desse estudo de si mesmo. Nós temos no canal, aqui, diversos vídeos. Os nossos vídeos, neles, estamos mostrando para você como ter uma aproximação real do Autoconhecimento, da Ciência da Meditação e de todos esses elementos lincados a essa psicológica condição em que nós nos encontramos e de que estamos prisioneiros, em razão desse fundo de condicionamento que não foi investigado, precisa ser investigado e, naturalmente, descartado. Esse direto olhar, esse constatar aquilo que não é real, é o fim para aquilo que não é real, algo que ocorre naturalmente por essa ação dessa Presença, por essa ação dessa Graça Divina.
GC: Mestre, nós temos uma pergunta de um inscrito no canal, que faz o seguinte comentário e pergunta: “Eu tenho uma dor imensa e uma tristeza, e não consigo encontrar uma paz. Estou sempre reclamando. Não tenho contentamento, mesmo tudo estando bem. Isso é o passado?”
MG: Então, Gilson, essa colocação. isso, na realidade, é o retrato dessa psicológica condição onde está presente esse sentido de separação. O ser humano, Gilson, carrega a dor do sentido de separação entre ele e a vida, entre ele e a Graça, entre ele e Deus. Isso está presente em razão dessa egoidentidade, desse movimento, que é o movimento do “eu”, que é o movimento do ego. O fim para essa psicológica condição requer a investigação da natureza do “eu”, e, naturalmente, esse “eu”, esse ego, esse sentido de identidade separada, que sustenta o conflito, o sofrimento, a desordem e todas essas condições presentes nesse modelo de psiquê em sofrimento, de mente humana em sofrimento, é algo que, naturalmente, é o resultado do pensamento, do sentimento, da emoção, da sensação e das experiências. E tudo isso, naturalmente, é o resultado do sentido do “eu” presente, e esse “eu” não é outra coisa a não ser um acúmulo de conhecimento, experiência, como foi colocado – o passado.
Esse sentido de alguém presente agora, aqui, que se vê como alguém presente, é o sentido, é o sentimento, é o pensamento, é a sensação de estar aqui e de que esteve ontem lá, e amanhã estará em outro lugar. Esse é o velho movimento do tempo psicológico, que nos situa como alguém presente, neste momento, que veio do passado. Veja, estamos diante de um jogo do pensamento. Essa ideia de alguém presente e o pensamento é, naturalmente, o passado. Essa ideia de ser alguém, esse sentimento de ser alguém, com todo o sofrimento que isso representa, não é outra coisa a não ser essa egoidentidade, algo que não tem qualquer realidade fora do pensamento, e o pensamento é, naturalmente, o passado. Podemos romper com essa psicológica condição de egoidentidade de alguém que vive no tempo, que veio do passado, está agora aqui presente, caminhando para o futuro?
O nosso trabalho aqui consiste em tomarmos ciência dessa condição psicológica de ilusória identidade, de egoidentidade. Uma vez ciente de que todo o movimento presente em você é o movimento do pensamento, que está presente constantemente em você – eu me refiro a esse elemento do pensamento que está constantemente te jogando para o futuro ou para o passado e, neste momento presente, criando estados de sentimentos, emoções e sensações, e justificando esses estados a partir do pensamento. Romper com isso é descobrir algo além do “eu”, além do ego, que é a Natureza da Verdade, d’Aquilo que está presente aqui além da mente. Gilson, nós nascemos para realizar Isso, para assumir essa Verdade, a Verdade de que não existe alguém presente. É estranho, é paradoxal, mas é exatamente assim; não existe alguém presente, que nasceu, que está vivendo e que vai morrer. Nós estamos apenas aqui, neste momento, diante de um grande sonho divino. Acordar desse sonho, se desvencilhar dessa ideia de alguém presente, é a Liberação nesta vida, é a Ciência da Presença da Verdade, do Amor, da Liberdade; é a Ciência de Deus, qualquer nome que queiramos dar para Isso. Estamos falando de algo além do sonho, além do conhecido, além dessa psicológica condição em que nós nos encontramos. Alguns chegam a dizer que não é bem um sonho, é algo que se parece mais com um pesadelo. O fato é que estamos diante de algo que o pensamento está produzindo e podemos romper com isso. E é exatamente nisso que estamos trabalhando aqui com você: se dar conta dessa realidade, ir além dessa psicológica condição de egoidentidade – alguém que nasceu, está vivo e vai morrer. Aqui, temos a Vida acontecendo e a Realidade da Vida como Ela é. Presente nela, a única Realidade, que é a Realidade de Deus. Essa é a Realidade do seu Ser, essa é a Realidade de sua Natureza Real. Você nasceu para a Felicidade, você nasceu para o Amor, você nasceu para a Ciência do seu Ser, que é a Verdade de Deus.
GC: Mestre, nós temos uma outra pergunta de uma inscrita aqui no canal. A Almerinda faz o seguinte comentário e pergunta: “Mais um vídeo para virar chaves. Mestre, então esse é o estado que Jesus chama de Reino do Céu? Muito obrigada”.
MG: Então, nós estamos diante da Realidade Divina; nós podemos dar diversos nomes para isso. Jesus chamou de “O Reino dos Céus”, mas o nome não tem muita relevância e qualquer ideia que nós tenhamos sobre Isso é falsa, como qualquer palavra que empreguemos para designar Isso; ainda estaremos lidando com palavras, com conceitos, com ideias, com pensamentos. Assumir a Verdade d’Aquilo que é Você em seu Ser, realizar essa Verdade aqui e agora, ir além dessa ilusão desse sentido de separação, onde tem você e a vida, você e Deus. é disso que se trata! Agora, quanto ao nome, nós podemos chamar de qualquer nome. Agora, eu tenho dado sempre alguns alertas aqui, Gilson. Um deles é esse: é fundamental nós deixarmos as conclusões, deixarmos as crenças, as ideias, os conceitos, as palavras. Talvez, você diga: “Ah, agora eu compreendi!”, “Ah, agora eu entendi!”, “Ah, agora eu peguei!”. Quem é esse “eu” que entendeu, que compreendeu, que pegou isso? A Realidade está fora do “eu”, então não se trata de alguém que sabe, mas a Verdade se revelando como sendo Você em seu Estado Natural. Se isso está presente, os nomes não importam. As ideias, os conceitos, as conclusões, tudo isso é jogado fora, porque estamos diante dessa única Realidade.
Essa única Realidade está além da linguagem, além da fala, além dos nomes. Quando o pensamento cessa, as ideias também desaparecem, as palavras também, os conceitos também. Então, nesse momento, não existe mais alguém designando, nomeando, explicando, tirando conclusões ou pronto para acreditar ou desacreditar. É fundamental termos, da vida, uma aproximação além do pensamento, além da mente, além das ideias. Nessa aproximação, o sentido de alguém desaparece. A importância de um encontro nesse nível é que, quando isso está presente, a única Realidade presente é a própria Verdade, e essa Verdade é inominável, é indescritível. Uma aproximação real de nós mesmos, quando aprendemos a olhar, a observar, a ficar cônscios de nós mesmos; quando começamos a nos dar conta de nossas reações sem interferir com elas, apenas observando, tomando ciência, estamos no real processo desse desaprender sobre nós mesmos.
É isso que eu tenho chamado de “a verdade sobre esse aprender sobre o Autoconhecimento”. Na razão em que esse sentido do “eu” se desfaz, algo novo assume esse espaço, e esse algo novo é de Real Inteligência, de Real Sabedoria, de Real Ciência da Verdade, mas não tem alguém aí. Quando a Sabedoria está presente, quando a Inteligência está presente, quando a Verdade está presente, a Realidade Divina assume todo o espaço, e esse é o seu Natural Estado de Ser. É a Verdade sobre Você, é a Verdade sobre Deus, é a Verdade sobre o outro, é a Verdade sobre a Vida. Em seu Natural Estado de Ser, há essa Liberdade, há essa indescritível Beleza, há essa “coisa” inominável. Esse é o seu Real encontro com a Vida, no qual a Vida é soberana, a Realidade é soberana, Deus é soberano. Não existe você, não existe esse “mim”, não existe esse “eu”.
GC: Gratidão, Mestre, gratidão; já fechou o nosso tempo. Gratidão por mais este videocast. E, para você que está acompanhando o vídeo até o final e tem o desejo real e sincero em compreender essas verdades, fica o convite para participar dos encontros que o Mestre Gualberto proporciona. São encontros on-line, que a gente pode fazer do conforto da nossa casa; são encontros de final de semana, sábado e domingo. Existem também os encontros presenciais e os retiros, que estão localizados na cidade de Gravatá, em Pernambuco. Nesses encontros, seja no formato on-line ou no formato presencial, o Mestre responde diretamente às nossas perguntas. Além disso, ele, por já viver nesse Estado Desperto de Consciência, compartilha essa energia de Presença nos encontros, e, nesse compartilhar, a gente acaba entrando de carona nessa energia do Mestre. Isso ajuda demais, facilita demais para a gente poder compreender a nós mesmos, para podermos ter uma visão além do que o nosso entendimento intelectual consegue alcançar. Então, fica o convite. No primeiro comentário, fixado, tem um link do WhatsApp para poder participar desses encontros. E Mestre, mais uma vez, gratidão pelo videocast.