Aqui, juntos, nós estamos investigando com você algumas coisas, e eu quero tocar nessa relação desse encontro com Deus. Como encontrar Deus? Qual é a verdade sobre esse encontro? Há realmente esta possibilidade? E como ela acontece? Como isso se torna possível?
Um outro assunto aqui é a relação disso com a verdade sobre o pensamento, a diferença entre aquilo que é como o pensamento acontece em nós, que é sobre o que pensar – que é assim que nós funcionamos nesse sentido do “eu”, nesse sentido do ego -, para como pensar.
Então, nós vamos colocar aqui por parte. A primeira parte é: o que é esse encontrar Deus? A pergunta é: como encontrar Deus? Eu tenho insistido muito nisso aqui. A ideia de encontrar Deus é a ideia de que Ele está lá e que eu estou aqui. Veja, qual é a verdade desse “Ele”, que é Deus, lá? Qual é a verdade desse “eu”, que eu sou, aqui? Qual é a verdade sobre Deus? Qual é a verdade sobre mim?
Aqui o primeiro ponto é que nós estamos diante de duas formas de pensamento, que nos foram dadas pela cultura, daquilo que representa o que pensar. Veja, nós temos pensamentos em nós que nos são dados pela sociedade, pelo mundo, pelo contexto de vida em que nós nos encontramos psicologicamente, socialmente e culturalmente.
Nós temos um modelo de pensar que nos é dado pelo mundo; então o que pensar, nós sabemos. Esse “o que pensar” é aquilo que o mundo pensa, que a sociedade pensa, que a mente comum a todos, nessa consciência comum a todos, tem: é assim que nós pensamos. A nossa forma de lidarmos com a vida é a partir desse “o que pensar”. Nós não sabemos a verdade de como, por nós mesmos, tomarmos ciência da vida como ela acontece, então nós não temos como pensar, porque nós temos aquilo que recebemos da sociedade.
Então, a nossa forma de pensar é a forma de uma mente condicionada. A nossa mente está programada, estruturada, educada para pensar da mesma forma como todos pensam; para sentir como todos sentem e, também, para se comportar, agir, fazer como todos, porque estamos dentro de uma mente condicionada. Vejam com calma isso aqui.
Assim, quando nós falamos em encontrar Deus, já estamos dentro de uma proposta que nos foi dada por esse modelo de pensamento comum, que é a ideia de que Deus está lá, em algum lugar distante, para ser encontrado, e que tem alguém aqui, que sou “eu”, como elemento real, para encontrar Deus. Toda essa linguagem é a linguagem do pensamento condicionado, da mente condicionada. Então, nos deram o que pensar, não nos ensinaram como pensar.
Aqui, juntos, nós estamos investigando com você o que é uma real aproximação de Deus, e essa real aproximação de Deus não é um encontro com Deus, mas é uma constatação de uma Realidade presente inalcançável pelo pensamento, indescritível pela palavra, inatingível pela mente. Essa Realidade Divina é aquilo que está presente aqui e agora.
Quando nós nos despirmos por completo dessa ilusão, que é a ilusão de alguém aqui presente, para em algum momento ter um encontro com Deus, que está em algum lugar no futuro, no tempo, ao nos despirmos completamente disso, teremos, de imediato, a clara ciência de que uma Realidade está presente, e essa realidade não é a “pessoa”, não é o “mim”, não é o “eu”.
Assim, nós precisamos nos aproximar aqui da verdade sobre essa questão, desse encontro pela busca da espiritualidade. Todos esses assuntos aqui: como pensar, a busca pela espiritualidade, como encontrar Deus, tudo isso requer um aprofundamento. Então, nós estamos investigando cada um desses temas, porque precisamos ter uma perfeita clareza a respeito de tudo isso para não incorrermos nesse equívoco, tão comum a todos, a respeito desses temas.
Então, essa assim chamada busca pela espiritualidade, afinal o que é isso, “busca pela espiritualidade”? Afinal, o que significa buscar a espiritualidade? A Realidade do seu Ser é a Realidade Divina; você não encontra essa Realidade pela procura, pela busca. Tudo aqui gira em torno de uma constatação dessa sua Vida Divina, dessa sua Vida Real, que é a Vida de Deus.
Então, a ideia é de Deus no tempo, para ser encontrado. Se, por exemplo, eu lhe dou um endereço e você nunca foi naquele lugar, você tem um endereço para encontrar o lugar. Assim, para encontrar um determinado lugar, você precisa de um endereço, porque você nunca foi lá. Então nós temos aqui algumas coisas: nós temos a distância de onde você se encontra até aquele lugar, temos também a presença do tempo, o tempo de sair daqui até aquele lugar, e temos uma terceira coisa, que é o fato de que você desconhece por completo aquele lugar.
Aqui, quando tratamos de Deus, estamos falando de outra coisa. Deus não é uma realidade no tempo. Então, não se trata daquilo que não está aqui e está no tempo, nesse assim chamado futuro, para ser encontrado; não se trata de algo que requer uma distância entre esse que está aqui e aquele que está lá, isso não é real para essa Realidade Divina. E um outro ponto é que não estamos falando de algo que é estranho a você; é desconhecido, mas não é estranho para você.
Repare nesse instante, nesse momento, quando você se depara com uma fala como essa, há esse instante de encontro; e é necessário que você esteja em um momento real para esse encontro. E aqui, agora, ficou claro: é um encontro de constatação, não é um encontro no tempo, não é um encontro saindo do ponto A para o ponto B. Não é um ponto de distância, não é um encontro de um ponto de distância.
Aqui se trata de um encontro de constatação. Quando você está pronto, uma fala como essa lhe soa muito clara, embora em um nível fora do intelecto, uma vez que esse intelecto em nós é um movimento também de pensamento condicionado. Veja, é aqui que temos toda a dificuldade. Não é que você não identifique isso. Você identifica, porque isso é algo inerente à natureza do seu Ser. Há algo em você que lhe mostra claramente que você está diante de algo real, mas é algo que o pensamento em você não alcança, isso porque está fora do pensamento, isso porque está fora do condicionamento.
Assim, qual é a verdade desse encontrar Deus? A verdade sobre isso está nesse olhar, nesse se aproximar, nesse se dar conta, pelo Autoconhecimento, dessa Realidade presente, nesse instante. Essa nossa visão da aproximação da Realidade Divina é algo que se revela quando a ilusão termina, quando esse sentido de alguém presente, que é o “eu”, não está; e tudo que nós precisamos, nesta vida, para a ciência disso é o fim dessa mente condicionada.
E o que é essa mente condicionada? É a forma sobre como pensamos. Essa forma como pensamos é sobre o que pensar. Nós sempre temos sobre o que pensar, nós sempre temos o que a sociedade nos deu para pensar. Você foi educado ouvindo, dentro da cultura, já nos primeiros dias com os seus pais eles dizendo para você o que era certo, o que era errado, o que se devia fazer, não se devia fazer, “não pode isso”, “não pode aquilo”, “isso está certo”, “isso está errado”, “não fale assim”.
Nós ouvimos nossos pais usando uma linguagem, e nós aprendemos. Algumas crianças aprendem a falar palavrões, porque os pais falam, embora, de forma contraditória, estão dizendo para os filhos: “Não fale palavrão”. A criança aprende pelo exemplo, se o pai fala palavrão e diz “não fale palavrão”, a criança vai falar palavrão; talvez não fale na frente deles, dos seus pais, mas vai falar quando estiver longe deles, porque o exemplo é mais poderoso do que a afirmação de palavras, colocações verbais, ensinos teóricos. O exemplo é o grande professor, no caso, para a criança.
Nós temos uma mente condicionada, estamos condicionados pela cultura, pela tradição, pela filosofia, pela psicologia, pelos valores sociais, pelo comportamento dos pais; estamos condicionados para falar, para sentir, para agir, para se comportar, crescemos assim. A nossa mente está condicionada, a nossa vida está, psicologicamente, condicionada para esse modelo. Então nós sempre temos e recebemos da sociedade, cada dia mais, do que pensar, de como pensar, nesse “o que pensar” que eles nos dão.
Nós não sabemos a verdade sobre o que é o real pensar, o verdadeiro pensar, como pensar livre desse contexto da cultura, desse contexto do condicionamento mental, da programação psicológica, filosófica, espiritualista, religiosa, de tradição e de família. Aqui, juntos, estamos tendo uma aproximação da investigação da Verdade dessa Revelação sobre quem nós somos, para o fim desse condicionamento mental, para o surgimento de uma mente nova, de uma mente livre, fora desse formato, desse modelo, fora desse padrão, e para isso nós precisamos aprender a investigar nossas reações, ficar ciente do que é o pensamento em nós.
Então a pergunta é: o que é o pensamento? Esse é mais um assunto que trabalhamos aqui. Aprofundar essa questão sobre o que é o pensamento, como o pensamento se processa, como você reage diante de um insulto, de uma ofensa, de uma rejeição; como você reage diante de um elogio, de uma lisonja, de uma parabenização; como você se sente quando você é aceito, amado; como você se sente quando é rejeitado, excluído. Quais são suas reações? Então, o que é o pensamento nesse instante? Como você processa tudo isso?
Aprender a olhar para as suas reações, aprender como o pensamento funciona dentro de você, formando quadros, imagens, lhe dando uma visão do outro dentro de conceitos, preconceitos, imagens e quadros que você faz dele ou dela, que você também faz de si mesmo. Ficar ciente de suas reações, aprender a observar a mente, aprender a observar o pensamento, se dar conta disso. É quando podemos rejeitar de nossas vidas, apenas pelo olhar direto, toda essa mediocridade, toda esta base de vida orientada pelo pensamento condicionado, produzindo confusão, produzindo sofrimento, produzindo desordem em nossas vidas.
Então, como ter esse encontro com a Realidade Divina? Tendo essa constatação dessa Realidade presente nesse instante, quando nós nos livramos desse “eu”; e se livrar desse “eu” é se livrar desse modelo de ilusória identidade presente, nesse formato de mente condicionada. Porque esse “eu” não é outra coisa a não ser esse condicionamento. Você está sempre repetindo os mesmos padrões de condicionamentos humanos, de condicionamentos mentais, esse é o “eu”; e se isso está presente, você está dentro de uma prisão.
A Realidade Divina, a Realidade de Deus, é a Verdade sobre Você; quando Ela se revela, há uma nova forma de sentir, de pensar e de agir na vida, porque neste momento está presente o que é esse pensar real, esse sentir real, esse viver real, porque estamos diante da Realidade, que é a Realidade de Deus. Isso é o fim de toda busca, de toda procura; isso é o fim de todo esse movimento para fora, para uma real ciência da Realidade da vida acontecendo nesse instante, onde está presente a Beleza, a Liberdade, o Amor, a Felicidade.
Você nasceu para, nesta vida, tomar ciência d’Aquilo que está presente que está além de nascimento e morte. Você nasceu para tomar ciência de que a Realidade que é Você e seu Ser é Algo que está fora do conhecido e, portanto, Algo fora dessa mente e desse mundo que o pensamento vê, que esse modelo de pensamento condicionado tem. É isso que estamos trabalhando com você em encontros online nos finais de semana – sábado e domingo, dois dias juntos. Além disso, temos encontros presenciais e, também, retiros.