Mestre Gualberto

Real Meditação

Consciência é a Real Meditação. É importante compreendermos o que é Meditação. Na realidade, a compreensão do que é Meditação significa a compreensão do que a Meditação não é. Meditação não é algo restrito ao tempo, como é essa formal meditação que conhecemos — estar sentado, respirando de uma certa forma, com uma certa atitude mental ou buscando uma atitude mental especial. Em Satsang, nós falamos a respeito da Real Meditação, que é Consciência, que é Presença. Nós trabalhamos isso nesses encontros. É preciso que isso fique muito claro para cada um de vocês.

A primeira coisa aqui é: não há direção; não há nenhum objetivo; não há nenhum resultado a ser alcançado fora deste instante, que é Consciência, que é Presença. Assim, a Meditação Real é a Consciência deste instante, a Clareza deste instante, essa pura rendição a este momento, porque é nele que este Estado Natural se mostra, se apresenta, se revela. Esta rendição não carrega um significado; é o puro Silêncio. Assim, não se encontra qualquer resultado nisso.

Todos esses métodos utilizados para se dar um significado à vida vêm da busca pela realização de estados internos. Na verdade, todos esses estados são puramente mentais e podemos chamá-los de estados espirituais ou estados de consciência. Podemos chamar, ainda, de estados elevados de consciência, mas, na verdade, todos são limitados, porque estão condicionados pela mente. Nós vivemos à procura desses estados, somos fascinados por eles. Isso, na verdade, é sempre dependência, é sempre uma prisão — a mente em sua prisão. Na mente, nós não somos capazes de saber o que isso significa. Podemos encontrar estados maravilhosos, estados de quietude, de paz, de silêncio, de alegria, mas ainda são estados limitados, impermanentes e mutáveis. Ainda são estados condicionados, ainda são estados da mente.

A Real Meditação é o estado de Pura Consciência, algo espontâneo que aparece, naturalmente, quando esta Consciência, esta Presença, este Estado Natural, não está carregado desse sentido de controle, de manipulação. O que a mente faz é buscar o controle, é controlar, é dar um significado em direção a essa ideia, a essa projeção, a esse conceito que ela tem sobre isso, sobre o que é meditação. Isso não traz real libertação, isso não traz real liberação, isso não traz o fim da ilusão, porque, quando você medita, ali está você. Sua atenção é capturada por esse próprio sentido de alguém presente. Esta Presença, esta Consciência, fica “aprisionada” a esse sentido de alguém, que vive presente na prática de meditação — alguém em paz, em silêncio, experimentando um certo estado de quietude, de alegria interior... Tudo isso ainda é mental. Não há qualquer realidade nisso, qualquer verdade nisso, a não ser essa “verdade” da mente, ou seja, a “verdade” de um estado induzido pela mente.

Assim, quando somos capturados por esse sentido de ser alguém, ficamos presos dentro dessa própria sensação, desse estado que a mente produz. Essa chamada meditação é uma forma distorcida, é só mais uma experiência da própria mente. Na verdade, a Real Meditação é aquela onde tudo, absolutamente tudo, toda e qualquer experiência, todos os objetos (e, aqui, objetos são sentimentos, pensamentos, sensações, emoções e memórias) são deixados em suas funções normais, em seu funcionamento natural. Isso significa que não há qualquer esforço, pois a mente não está em seu foco, manipulando, controlando, desejando, procurando um estado especial. Quando isso está presente, podemos nos deparar com Aquilo que É, com a graça, a beleza, a verdade do que É. Essa é a Real Meditação!

Nessa Real Meditação, a ênfase é o puro Ser, é esse puro e ilimitado Espaço, onde todas essas aparições (objetos, pensamentos, sensações, emoções, etc.) surgem e depois vão embora. E, aí, continua Você… Você em seu Estado Natural, livre do sentido de alguém, comendo, falando, trabalhando, caminhando, dirigindo seu carro, lidando com negócios, comprando, vendendo... Na Meditação, você não tenta mudar a sua experiência. Na Meditação Real, a experiência está acontecendo sem esse “sentido de você", que você acredita ser. É só a liberdade, a fluidez, a graça da experiência sem o experimentador.

Estou dizendo que você não está em busca de mudar a experiência, porque não tem você! Não importa se a experiência de viver a vida se mostra agradável ou desagradável, aí está você acolhendo, abraçando esse ilimitado Espaço, que é Presença, que é Consciência, que é Você em seu Estado Natural, que é Meditação. Estamos diante dessa Real Meditação. Então, essa mente separada, essa mente com o sentido de separação, essa mente dual, essa mente em sua crença de ser alguém, desaparece. Você está, suavemente, gentilmente, sem qualquer esforço, relaxado nessa Consciência. Você é Ela! Ela é Você, sem esse “você”, sem esse “mim”, sem esse “sentido de alguém” — alguém espiritual, alguém que experimenta estados místicos, alguém que sente certas energias, certas vibrações... Não tem alguém nisso! Em Deus, não tem alguém. Deus não é alguém! Você não é alguém, você é Deus! Você não é uma pessoa!

Somente nessa direta e receptiva atitude, livre de objetivos, propósitos, sonhos, intenções e desejos, é que pode se revelar essa Bem-Aventurança, essa Alegria Real, esse Amor Real, essa Paz Real, essa Liberdade de ser o que Você É. Essa Consciência retorna ao seu Estado Natural, à sua condição natural de Ser, com todo o seu imanifesto e manifesto potencial de Graça e Verdade. Isso é Realização, isso é o Despertar, isso é Consciência de Deus!

Esse Silêncio é a única realidade. Esse Silêncio é esse Vazio, este abismo insondável; Felicidade, Bem-aventurança e Amor. Então, nós precisamos reconhecer o que somos, e esse reconhecimento é o fim de alguém — de alguém experimentando alguma coisa, de alguém sentindo alguma coisa, de alguém fascinado com algum estado especial. Na verdade, todos esses estados especiais que podemos adquirir em qualquer prática de meditação são estados de fuga. Enquanto eles estão presentes, você aparentemente não está, mas, na verdade, lá está você. Nenhum estado que se experimenta pode liberar essa Consciência, pode dar essa Real Liberação a esse Ser, a essa Presença, a essa Consciência, porque é sempre a mente que está nisso.

Tenho outra coisa a lhe dizer a respeito disso: você não pode realizar esse Estado; ele é uma ação da Graça. Somente a Graça pode realizar isso. Realização é uma ação da Graça, uma ação da Presença, é uma ação da Consciência. Essa ação da Presença, da Graça, da Consciência, é algo que acontece muito naturalmente em Satsang. É aqui que entra o Mestre. O Mestre, a Presença, a Graça, a Consciência são uma só e a mesma coisa. Realização é algo concedido pela Graça. Essa Consciência dentro é a Consciência do lado de fora, na figura do Mestre. O Mestre nada mais é do que Você do lado de fora. Apenas os sentidos físicos dizem que Ele está do lado de fora, mas Ele é a mesma Presença, que não está nem dentro e nem fora. Você precisa estar nesse campo de Graça, de Presença, chamado Satsang.

Não se pode obter isso com técnicas, com práticas, com estudos e leituras. Você assistirá a milhares e milhares de vídeos, de todos os Mestres do passado e do presente; você lerá todos os livros que foram escritos sobre os Mestres, ou alguns que foram escritos pelos próprios Mestres, do passado e do presente; você ouvirá todas as falas; mas posso garantir que nada disso funciona. Garanto com base na minha própria experiência, naquilo que eu poderia chamar de minha experiência. Realização é o Despertar da Consciência. Só um despertador pode fazer isso.

A Consciência interna e a Consciência externa são uma única Consciência. Assim sendo, só há um trabalho acontecendo nesse mecanismo “corpo-mente”. E esse é um trabalho da Graça, um trabalho do Guru, um trabalho do Mestre. Então, a Meditação é possível; o Despertar é possível; essa Presença é possível; essa Graça é possível. E, agora, não estamos tratando mais de uma teoria, de uma crença, de um conceito. Nós estamos diante daquilo que se mostra.

Esta Realidade está no fim do experimentador, no fim de toda e qualquer experiência, no fim de todo e qualquer conhecimento, no fim de todo e qualquer fascinante estado. Na Índia, eles chamam de Sat-Chit-Ananda. Não é um estado, não é um conhecimento, não é uma experiência.