Mestre Gualberto

Mensagens

Bem-aventurados os simples de coração

Cristo um dia disse: "bem-aventurados os simples de coração, porque eles verão a Deus". Nós deixamos esta simplicidade do coração para viver nesta complexidade da cabeça, e aí tudo que vemos é o susto, o terror, o pavor, o medo, o sentido de uma existência separada: eu, Deus e o mundo. Então, se eu estou aqui, o mundo tem que estar do lado de fora. Se eu estou aqui, eu tenho que desvendar o mistério da vida do lado de fora, tenho que saber o porquê das coisas, e tem que haver uma explicação para tudo isso.

Nós falamos de ego como se ele fosse uma coisa abstrata. O ego é só uma invenção realmente; uma invenção social. A sociedade criou o ego. A sociedade é o ego criado pelo pensamento, por essa imaginação de ser mais do que Deus, mais do que aquilo que se apresenta, de exigir mais do que a vida é. Pura arrogância.

Você nega o Todo, que se derrama como uma explosão. Você não aceita. Quando não aceita, você conflita. Quando conflita, você sofre. Você está fazendo isso tudo porque você é "muito importante", é "maior do que Deus". O ego é a resistência ao que está acontecendo. O vento está soprando agora, e isso é assim, não importa o volume de pensamentos que você tenha a respeito. O fato é esse: o vento está soprando, e isso é impensável, indizível, indescritível. O fato do vento estar soprando é o que é.

Por que surge o conflito acerca de quando sou eu (agindo) e quando é a Consciência? Por que esse conflito surge? Não tem necessidade desse conflito. Se o vento está soprando frio, e há uma porta, abra-a e passe. Não pense sobre, pois, se você pensou sobre, já alterou todo o natural. Aí você diz: "Mas eu quero acertar". Então, eu digo: você não tem que acertar, não tem que errar, porque a ação não é sua. A porta foi fechada, mas quem disse que foi você? O sentir é real e o pensamento é uma ilusão. O sentir é real, porém o que a mente vai fazer com esse sentir é outra história. Ele é real para aquele instante e para aquela situação, mas, em última instância, não é real. Isso é só uma aparição também – uma aparição fisiológica, biológica, neural. O pensamento é que fica, depois, construindo uma identidade sobre aquela experiência.